UFRGS afirmou que tomará medidas após ameaças

Estudantes do Campus do Vale relatam inquietação apesar das medidas adotadas pela UFRGS

Mensagens sugerindo ataque a alunos de Ciências Exatas se propagaram em redes sociais causando preocupação

  • Por: Maria Eduarda Rocha (3º semestre) | Foto: Eugenio Hansen, WikiMedia Commons OFS | 22/03/2019 | 0

A Universidade Federal Rio Grande do Sul acionou o setor de segurança da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), polícias Federal e Civil e o setor de inteligência da Brigada Militar e, ainda, reforçou sua segurança interna para proporcionar segurança e tranquilidade à sua comunidade acadêmica em razão das ameaças de atentado no Campus do Vale,  semelhante ao ocorrido em Suzano (SP). Ainda assim nesta quarta-feira (20) mais informações circularam sobre as ameaças e também indicando possíveis prisões de suspeitos no Campus do Vale, fato que não foi confirmado pela assessoria de imprensa da universidade.

Uma estudante de Engenharia Civil que preferiu não se identificar reclamou que a Universidade se preocupou em aumentar a segurança apenas nas faculdades do bairro Agronomia. “No Centro, parece que nada aconteceu, inclusive nem policiamento tem aqui frequentemente. Não se vê ronda. Parece que, como a ameaça foi no Vale, não é preciso defender a UFRGS inteira”. A jovem de 20 anos tem aulas nos dois campus durante a semana e revelou que os alunos foram orientados para se precaver de possíveis ataques, inclusive não usar roupas e mochilas que os identifique como estudantes de Exatas.

Também estudante do Campus Centro da UFRGS, Gabriela Pereira, de 18 anos, conta que o desespero tomou conta das salas de aula a partir do momento que as mensagens vazaram. “Ficamos todos em sinal de alerta. Qualquer cuidado é pouco, e ficar distraído não é uma opção”. Apesar de cursar Pedagogia e o foco das ameaças serem alunos do campo das Exatas, a Gabriela sentiu clima pesado na Faculdade de Educação.

As mensagens publicadas na web motivaram uma reunião entre o reitor Rui Vicente Oppermann e representantes das faculdades da UFRGS, que ocorreu na tarde de terça-feira (19). O encontro discutiu maneiras de se precaver de qualquer tipo de violência e garantir a segurança dos alunos, especialmente mulheres e negros, os mais visados pelas ameaças.

Para coordenadora geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRGS, Gabriela Silveira, as ameaças fazem parte de uma onda de ódio e intolerância que vem se instaurando no Brasil a algum tempo. “Volta e meia sai uma declaração atacando as universidades públicas, inclusive, a UFRGS não é a primeira a receber esse tipo de ameaça”. Além pedir providências à reitoria, o DCE da UFRGS e outras entidades representativas estudantis pretende se reunir, em breve, para discutir as ameaças de violência nas universidades.

A jovem Elis Horn, de 19 anos, cursa Engenharia Ambiental na UFRGS e esteve no meio do grande alvoroço que se formou no Campus Agronomia. Segundo ela, na quarta-feira, o clima ficou bem pesado, em todas as partes do Campus o assunto era as mensagens de ataque. Apesar da proporção do caso, a estudante conta que os alunos ficaram mais tranquilos com o rápido retorno da faculdade, que aumentou o policiamento e disseminou os números de segurança de cada bloco do Campus do Vale. Os professores da instituição também comentaram o fato na sala de aula, debatendo o rumo da violência no país.

Na manhã desta sexta-feira (22), a possível ameaça de atentado continuava sendo o assunto principal entre os estudantes do Vale. Seguranças e policiais permaneciam fazendo rondas ao redor do Campus.