Um freelancer no palco de guerra

“O presidente sírio, Bashar Al Assad, caíra em breve”. Essa previsão é do freelancer Aldo Sauda, formado em relações internacionais, que cobriu a guerra civil na Síria e no Egito para diversos veículos brasileiros e esteve presente no 26º Set Universitário na Famecos. Segundo Sauda, um dos motivos que levam ele a acreditar na queda é o fato de Assad depender de agentes externos, como o Hezbolla, para se manter no poder. “Quando isso acontece é um claro sinal de fragilidade por parte do governo de Damasco”, comentou.

Além disso, Sauda acrescenta que embora o mandatário sírio tenha o domínio de algumas cidades, elas não passam de territórios de pouca credibilidade. Ele enfatiza que na região de Damasco, a situação é bem oposta, com a perda de vários bairros para os grupos rebeldes.

Quanto ao Egito, Sauda argumenta que o governo egípcio caiu, mas não foi deposto o regime. “Militarem voltaram com mais legitimidade, com um processo revolucionário”, sinalizando que a relocação no país dos faraós ainda não terminou.

Sauda, formado em relações internacionais e que cursava a Faculdade de Direito em 2011, largou o curso para ir ao Egito cobrir, como repórter freelancer, os acontecimentos que lá se sucediam, passando posteriormente pela Síria. Nesta experiência, ele descobriu que os brasileiros conhecem pouco da Europa, América do Sul e Estados Unidos e quase nada a respeito do Oriente Médio. Acrescentou que é uma região muito pouco aproveitada e conhecida pela mídia brasileira.

Enquanto esteve na região, Sauda encontrou diversas dificuldades e perigos. Em uma ocasião quase foi sequestrado por um taxista egípcio que desconfiou que Sauda fosse espião israelense. Isso acontece, por causa da Prisão Cidadã, dispositivo que permite a um cidadão prender por conta própria alguém de quem desconfia. Na opinião de Sauda há uma forte xenofobia entre os povos daquela região, pelo frequente problema do colonialismo.

Por fim, o freelancer deu uma dica para quem está interessado em trabalhar como correspondente internacional no Oriente Médio. É preciso saber fluentemente a língua inglesa e ter um ótimo conhecimento dos fatos na região. No Egito, a questão linguística é mais fácil, porém é bem mais complicada na Síria, observou.

Texto: Augusto Lerner (3º semestre) e João Pedro Arroque Lopes (5º sem)
Foto: Giovanna Pozzer/Famecos/PUCRS