Um vereador inconstitucional

Quarto mais votado para a Câmara de Vereadores, Rodrigo Maroni continuará atuando fortemente em defesa dos animais

  • Por: Italo Bertão Filho (2° sem.) | 11/10/2016 | 0
Foto: Guilherme Almeida/CMPA
Foto: Guilherme Almeida/CMPA

Reeleito para mais um mandato na Câmara de Vereadores, o quarto vereador mais votado da Capital admite ferir a Constituição do país com seus projetos de leis, muitos deles, polêmicos. “Eu sou um cara profundamente inconstitucional”, afirma Rodrigo Maroni (PR) em entrevista ao Editorial J. Desde que entrou para a Câmara, em 2015, Maroni é conhecido por sua defesa ardorosa da causa animal. A mais recente envolveu um projeto que previa pena de prisão perpétua em clínica psiquiátrica para quem fosse sarcástico com animais.

“Eu jogo na contradição da própria imprensa para levantar um tema que antigamente não tinha espaço”, analisa Maroni, ao comentar a repercussão de suas ideias. O vereador também critica a postura da mídia em relação à política. “É mais fácil aparecerem na imprensa as coisas ruins ao invés das coisas boas”, comenta.

Alguns projetos de lei do parlamentar esbarram na Constituição Federal. O vereador reconhece os problemas do projeto da prisão perpétua. “Ele é inconstitucional, e as leis precisam ser mudadas”, usando como exemplo o fato dos homossexuais não terem sua orientação sexual reconhecida legalmente no passado e como isso acabou mudando ao longo do tempo.

Segundo o vereador, o foco de seu próximo mandato continuará sendo a defesa dos animais. Maroni promete a criação de um hospital público veterinário 24 horas, de uma delegacia dos animais e um projeto de isenção do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) para veterinárias que realizarem castração.

O porto-alegrense de 35 anos estreou na política em 2006, quando concorreu a deputado estadual pelo PSOL e obteve 1.988 votos, sem conseguir se eleger. Sua prestação de contas foi reprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) à época, mas o processo acabou arquivado dois anos depois. Em 2012, pelo PC do B, tentou uma vaga na Câmara Municipal, ficando na suplência. Maroni era noivo de Manuela D’Ávila e teve participação ativa da então candidata a prefeita em sua campanha. Após João Derly ser eleito deputado federal em 2014, Maroni tomou posse como vereador no começo de 2015 e trocou o PC do B pelo PR meses depois.