Sem medo do ridículo – Vereador Maroni comenta seu novo projeto de lei

O PLL 177/16 determina a pena de prisão perpétua em clínica psiquiátrica a quem for sarcástico com animais, estuprá-los e enterrá-los vivos

  • Por: Angelo Werner (5º sem.) | 10/09/2016 | 0
Foto: Guilherme Almeida/CMPA
Foto: Guilherme Almeida/CMPA

O vereador Rodrigo Maroni (PR) apresentou um novo projeto de lei na Câmara Municipal de Porto Alegre, no qual pede “a pena de prisão perpétua em clínica psiquiátrica a quem for sarcástico com animais, estuprá-los e enterrá-los vivos”. O projeto ganhou repercussão logo que se tornou público, sendo alvo de diversas críticas e piadas. Entre os pontos mais problemáticos e destacados estão o uso do termo “sarcástico” e a punição com a “pena de morte”, inexistente no Brasil.

O vereador, contudo, defende a sua proposta. Confrontado com a especulação de que poderia ter usado o termo “sarcástico” equivocadamente no lugar de “sádico”, Maroni afirma que a escolha da palavra foi correta. Conforme ele, o sarcasmo pode se expressar de diversas formas e englobar diversos tipos de atitude. “Entre os humanos ele toma a forma verbal. Mas como os animais não manifestam a capacidade oral, o sarcasmo pode tomar uma forma física, como a agressão e a tortura”, explica Maroni.

Quanto à inconstitucionalidade da proposta, o vereador é categórico: “Muito mais que constitucional ou não, eu quero que a coisa seja executada”. Como contraste, ele aponta os casos de políticos que desviam dinheiro público, algo inconstitucional, e não são alvos de julgamento. Conforme ele, as leis estão aí para serem mudadas, e os avanços na política se dão por meio de ideias inovadoras, que quebram com os padrões, “senão”, aponta ele, “ainda estaríamos na era do Império, tocando corneta”.

Maroni possui o título de “protetor oficial dos animais”, que lhe foi concedido pela Secretaria de Defesa Animal da prefeitura de Porto Alegre. Esta é a sua bandeira central na política, uma área que ele enxerga como esquecida, e que apresentaria uma legislação genérica. O vereador enxerga os avanços das demais lutas e causas sociais e lamenta que isso não aconteça com a sua pauta. “Sem querer comparar com as lutas dos movimentos negro e LGBT, mas hoje, em 2016, ninguém luta pela causa dos animais”.

Aponta que o cenário das prisões brasileiras é cheio de criminosos dos mais diversos tipos, mas que nunca encontra ninguém preso por atos ilícitos cometidos contra animais. “Ninguém é preso por estupro ou tortura contra animais. Vez ou outra estoura alguma rinha por aí, mas quase sempre a pena é revertida para serviço social”, lamenta.

Sua ambição é de que, muito além de ser aprovada, a lei inspire mudanças maiores. Maroni quer que a ideia chegue até a Câmara dos Deputados, ao Senado, e que a proposta possa virar uma lei nacional. A influência internacional também é um sonho do vereador, que ainda no mês passado protocolou uma moção de repúdio aos países que ainda consomem carne de cachorro, dentre eles China, Taiwan, Canadá, Alasca, Suíça, Havaí, Vietnã, Coreia, Suíça, Indonésia, México, Filipinas, Polinésia e Sibéria. “Quero servir de exemplo para outros países com situação ainda pior que a nossa. Respeito muito a cultura oriental, mas lá tem gente que ainda vende e come carne de pets, um absurdo”, exclama.

Mas esta não é a primeira vez que o nome de Rodrigo Maroni vira manchete de notícias curiosas no jornalismo nacional. Em junho deste ano, o vereador foi bastante citado por apresentar um projeto que, em tese, instituiria a obrigatoriedade da adoção de cães ou gatos por famílias de Porto Alegre. Outros de seus projetos que geraram controvérsia são o de licença em caso de morte do animal de estimação, da obrigatoriedade do uso da coleira eletrônica por assassinos ou estupradores de animais , e da castração química de estupradores de animais.

Quanto ao espaço que recebe na mídia por causa de projetos assim, o vereador só tem a agradecer. Este de tipo de notícia faz com que, ao menos, as pessoas parem e reflitam sobre a causa animal. Contudo, ele reclama da forma como o jornalismo tradicional trata casos assim, nunca dando real espaço para coisas positivas. Conforme Maroni, o destaque fica para coisas irrelevantes como o futebol, ou quais casais famosos estão se formando ou se separando. A política, uma ferramenta de transformação social para ele, é ridicularizada. “A política transforma, por isso eles querem afastar as pessoas da política, querem causar estranhamento, querem que o cidadão de bem não queira ter nada a ver com esse tipo de coisa”, teoriza.

Com a popularização de seu último projeto, Maroni também foi acusado de estar apenas querendo aparecer na mídia, tendo em vista que é candidato à reeleição. Ele nega este tipo de tática, e aponta seus 103 projetos apresentados durante o mandato como prova disso. “Se é pra me acusar de marketing, que me acuse de marketing permanente”, desafia. Seus projetos, explica, não tem nenhuma motivação que não a própria existência dos tipos de crime que ele procura combater, são apenas projeções do cenário que ele enxerga. “É só acabar de vez com estes tipos de crime que eu paro de aparecer, daí vocês nunca mais vão ver o Maroni”.

Por fim, perguntado se não tem medo de ficar marcado unicamente pelas manchetes zombeteiras e pelos projetos chamados de ridículos, o vereador Rodrigo Maroni se defende: ““O que é ridículo é ter que resgatar animais de madrugada, abusados, em fundo de quintal. É o descaso dos órgãos públicos para com a causa dos animais. É ter que cuidar de animais atropelados no meio da estrada, que ninguém parou para ajudar. Se isso é ser ridículo, então eu acho que ser ridículo é o canal pra fazer o bem nesse mundo de hoje”.