Vigilância de Alimentos proíbe a venda de temperos a granel no Mercado Público

  • Por: Georgia Ubatuba (4° semestre) | Foto: Frederico Martins (7° semestre) | 18/03/2015 | 0

Quem costuma comprar condimentos no Mercado Público de Porto Alegre deve ter percebido algumas mudanças recentes na forma como eles são oferecidos. A partir do início de 2015, todos os temperos passaram a ser vendidos apenas em embalagens, não mais a granel. Essa regra faz parte da legislação e passou a ser fiscalizada com mais rigor após o incêndio do Mercado. Paulo Casanova, chefe da equipe da Equipe de Alimentos da Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde de Porto Alegre, disse que é uma prática comum cobrar a procedência dos víveres. Quando eram vendidos fracionados localmente, porém, não havia como comprovar a origem e tampouco a validade das especiarias. Daí a proibição.

Casanova reconhece a venda de produtos a granel como uma das características principais do Mercado Público e explica que no caso de produtos como a erva-mate a oferta será mantida. Para Neli Costa, proprietária do Armazém Metropolitano, com as novas diretrizes, essa principal característica está acabando. “O jeito como vendemos aqui no mercado é único. Totalmente diferente dos supermercados tradicionais”, afirma Neli. Além dessa descaracterização, a proprietária ressalta que os preços das novas apresentações das mercadorias são mais elevados.

Entre os consumidores, as opiniões divergem. A funcionária pública Cristine Damasio costumava comprar por peso seus condimentos e não gostou da mudança: “Antes, eu comprava a quantidade que queria. Agora, é o que vem na embalagem.” Já para a uruguaia Susana Aronovich, massoterapeuta vivendo em Porto Alegre, o costume já era comprar os temperos embalados. “Mas já me aconteceu de comprar gergelim e quando cheguei em casa, cheirar e sentir odor de mofo. Voltei no mercado e trocaram”, conta Susana.

Não foram apenas comerciantes e consumidores do Mercado Público que sentiram as mudanças, mas também a empresa que era uma das principais fornecedoras de especiarias para as bancas. A proprietária da Roma Temperos, Marilena Perez, revela que o cancelamento de pedidos gerou um grande transtorno não somente financeiro, mas causou a demissão de funcionários. “Prejudicou em todos os sentidos”, lamenta Marilena.MG_5594