Vó Ema, o exemplo de quem faz de um dever, um direito

  • Por: | 05/10/2014 | 0

Aos 81 anos e sem obrigatoriedade de votar, Ema Elda Gonzalez Carneiro sai da localidade dos Potreirinhos, interior do município de Jóia, no Rio Grande do Sul, e vem para a cidade um dia antes da data das eleições. Hospeda-se na casa de um dos filhos e aguarda ansiosa.

Domingo de manhã, por volta das 9h, com passos curtos e lentos, se dirige à sua seção, localizada no único colégio de Ensino Médio da cidade, a duas quadras e meia da casa do filho. “Quando estava no colégio, era muito patriota. Cantava o hino com entusiasmo”, conta. Ele diz que hoje muitas crianças desconhecem o símbolo nacional.

Foi em 1952, aos 20 anos, que Vó Ema, como é chamada, votou pela primeira vez. Naquela época, não existia o voto eletrônico. As pessoas marcavam o candidato de preferência em um papel e depositavam em caixas de papelão, “como um cofre”, relembra.

Vó Ema recorda que o acesso era difícil. Antes, tinha o título em outra seção, na localidade do Carajá Grande, aproximadamente 15 quilômetros da sua casa. “No começo, era uma função. Não importava se fazia sol ou se chovia, tínhamos que ir mesmo assim”, recorda. “Íamos a cavalo até a escolinha onde ficavam as urnas”. Vó Ema explica que no seu tempo de juventude só havia dois partidos: “A família era muito unida, por isso éramos obrigadas a votar no mesmo candidato do nosso pai”.

O gosto pela política permanece. A eleitora revela que agora não escolhe os candidatos por partido, mas pela pessoa e suas propostas. Segundo ela, o seu voto vai para aqueles que pensam no povo e que contemplam “os que têm menos”. Se a questionam por que, aos 81 anos, ainda se dá o trabalho de exercer o voto a resposta vem rápida e decidida: “Voto porque é um orgulho ser patriota, ser brasileira. Eu vejo isso como um privilégio”, dispara. “Enquanto eu tiver saúde eu vou votar”.

Texto: Laisa Mendes da Silva

Este material integra a cobertura realizada pelos alunos do Editorial J, laboratório do curso de Jornalismo da Famecos-PUCRS, com supervisão dos professores Alexandre Elmi, Fábian Chelkanoff, Fabio Canatta, Flavia Quadros, Ivone Cassol, Marcelo Träsel, Marco Antonio Villalobos, Tércio Saccol e Vitor Necchi