“Vocês têm que ultrapassar a ideia de que transporte coletivo é para pobre”, diz professor

  • Por: Gabriel Gonçalves (6º sem) | Foto: Wellinton Almeida (1º sem), Mariana Capra (4 sem) | 19/10/2015 | 0

Alternativa consolidada em mobilidade urbana na Europa, o transporte público ainda enfrenta, no Brasil, o estigma de ser um meio destinado às pessoas de baixa renda. A avaliação é do professor de urbanismo e transportes Fernando Nunes da Silva, da Universidade de Lisboa. O especialista português, que participou do 1º Congresso Nacional Espaços Públicos, realizado na PUCRS, nesta segunda-feira (19), afirmou que este pensamento só deve mudar com a implementação de alternativas e serviços de qualidade. “Este estigma muda se introduzirmos outros tipos de modo de transporte. Você tem um ônibus velho, que cheira mal, onde todo mundo vai apertado, você não vai achar que alguém que tem um certo nível de renda entre lá”, ponderou.


Espaços Públicos-0896
Segundo o professor,  a utilização do transporte público por todas as classes, como ocorre na Europa, começa a tomar fôlego no Brasil, através de políticas de mobilidade urbana, como as implementadas na capital do Paraná. “Em Curitiba, foi possível encontrar isso. Você vê gente de terno e gravata no BRT (Bus Rapid Transit). Não é só para pobres. Na Europa, você vê isso com toda frequência”.  Segundo Nunes da Silva, entre os desafios enfrentados pelas políticas de mobilidade urbana enfrentam no Brasil está a polarização de posicionamentos sobre modelo de mobilidade. “No Brasil, se extremaram muito as posições. Existem os posicionamentos que diabolizaram o automóvel, e posições que sustentam que sem automóvel não é possível viver em uma cidade brasileira”, analisou.
Professor Fernando Nunes da Silva

De acordo com o especialista, transporte de massas e mobilidade urbana não são duas questões compatíveis. “Você não pode ao mesmo tempo tentar resolver um transporte massivo, e dar resposta a uma classe média mais sofisticada, que exige uma distribuição mais fina na área central. As duas coisas não são compatíveis”. Para Fernando Nunes da Silva, as duas questões podem coexistir através da criação de sistemas complementares de mobilidade. “Naquilo que o transporte de massa responde, entre a periferia e a zona mais central da cidade, você pode utilizar diversas vias, até mesmo carros. E depois, na região  central, complementar com outro sistema, no interior da cidade”, argumentou.