“Voto na Dilma desde 1969”, afirma Raul Ellwanger

  • Por: | 05/10/2014 | 0

Durante três meses de 1969 opositores ao regime militar organizaram um congresso clandestino para a unificação dos grupos participantes. Dilma Rousseff, hoje presidente e candidata à reeleição pelo PT, assumiu o cargo de delegada de Minas Gerais em uma organização transitória, a Ó pontinho, que mais tarde seria a Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares (VAR-Palmares).

O companheiro Raul Ellwanger, agora músico e ex-exilado político, já acreditava no potencial de Dilma na época. “Eu votei na Dilma para delegada no congresso da Ó pontinho! Não é brincadeira, votei nela em 1969 e votei hoje também”, enfatiza ao ser questionado sobre seu voto atual.

No ano anterior Ellwanger recorda-se de ter escutado o pronunciamento de instauração do Ato Institucional nº 5 escondido em um apartamento de um amigo nas escadarias da Rua André da Rocha. “Sentado na ponta de uma cama, eu me lembro, começou no rádio uma marcha militar muito impactante e anunciaram a cessão dos privilégios”, lembra.

Dilma e Ellwanger militaram na VAR-Palmares, organização política de esquerda criada em função do agravo da ditadura militar com o AI-5. Apesar de ter vivenciado três golpes militares – no Brasil, depois na Argentina e no Chile – Ellwanger não deixou de acreditar que o país voltaria a viver uma democracia. “O momento que vivemos vem de quem militou na resistência, que precisou passar pela clandestinidade e construiu a democracia”, explica.

Estes também são motivos para, há 45 anos, não ter alterado seu voto. Nas eleições de 2014, como nas de 1969, ele escolheu Dilma Rousseff sua representante. “Votei em quem defende os direitos humanos. O discurso dela na abertura da Assembleia da ONU foi muito bom”, constata.

Para Ellwanger os discursos da candidata como militante eram superiores aos atuais. “Ela surrava qualquer um em uma polêmica, o pessoal da Colina [Comando de Liberação Nacional, grupo a qual ela pertencia] era inteligentíssimo”, explica ao dizer que acredita que ela esteja se contendo atualmente.

O músico ainda explica que por ter uma concepção socialista teria outras opções ao cargo máximo do Poder Executivo, mas vê na continuação do governo de Dilma uma maneira de prolongar as mudanças feitas no país nos últimos anos. “Eu até poderia votar em outras pessoas, mas pelos programas implantados pelo governo e também pelo o que eu passei, vou de Dilma de novo”, conclui.

Texto: Carolina Hickmann (6º semestre)
Foto: Arquivo pessoal

Este material integra a cobertura realizada pelos alunos do Editorial J, laboratório do curso de Jornalismo da Famecos-PUCRS, com supervisão dos professores Alexandre Elmi, Fábian Chelkanoff, Fabio Canatta, Flavia Quadros, Ivone Cassol, Marcelo Träsel, Marco Antonio Villalobos, Tércio Saccol e Vitor Necchi.