Aplicativos visam prestar mais serviços aos cidadãos

Vigie Aqui, Meu Deputado e Colab auxiliam a vida das pessoas que usam esses serviços para fiscalizar ou acompanhar o poder público

  • Por: Fernanda Nudelman, Lara Marques e Luísa Dornelles (2º semestre) | Foto: Cecília Petrocelli (3º semestre) | 09/10/2018 | 0

Com mais transparência e sem filtros, mídias alternativas hoje são usadas para passar informações sobre serviços e atividades de diferentes esferas do poder público. Antes limitadas aos espaços dos veículos tradicionais de notícias, as informações eram publicadas sem permitir a interação com o cidadão que, por falta de recursos e oportunidade, não tinha como rebater as mesmas, confiando na palavra dos políticos. Hoje, aplicativos como Vigie Aqui, Meu Deputado e Colab oferecem serviços que permitem ao cidadão ter mais acesso e participação na gestão pública, cobrando explicações e ações dos políticos para sua cidade.

A lei da transparência (Nº 12.527, de 18 de novembro de 2011) existe para assegurar que todos tenham o direito à informação, como descrito no artigo sexto: “Cabe aos órgãos e entidades do poder público, observadas as normas e procedimentos específicos aplicáveis, assegurar a: I) gestão transparente da informação, propiciando amplo acesso a ela e sua divulgação”.

O especialista em Jornalismo Digital Alysson Mainieri considera que “para as pessoas de fato usar, ele primeiro tem que ter essa usabilidade simples direta para que todo mundo entenda, desde uma pessoa com formação mais avançada até a mais simples com celular modelo mais antigo. O propósito do aplicativo tem que ser democrático para que possa atingir toda população.” No mercado existem aplicativos que deixam mais fácil a linguagem jurídica, outros apontam as contas dos deputados da Câmara e alguns servem de ligação entre o habitante da cidade e sua prefeitura.

Percebendo que a população tem cada vez mais interesse em participar das decisões da administração pública, os sócios Gustavo Mais e Paulo Pandolfi decidiram criar o Colab. Lançado em 2013, o aplicativo agiliza processos normalmente burocráticos de comunicação como relatar a falta de iluminação em uma rua, propor melhorias para a cidade, entre outros.

Eles contam com dois modelos de parceria, o pago têm dez prefeituras parceiras e o gratuito, mais de cem. A vantagem do primeiro modelo é que as demandas são encaminhadas direto às áreas responsáveis das prefeituras, com isso ocorre um retorno mais eficiente. Ao se cadastrar no aplicativo é possível visualizar a evolução das denúncias e se foram solucionadas ou não.

A ferramenta Vigie Aqui foi desenvolvida pelo Instituto Reclame Aqui, e é monitorada por alunos da PUC-PR e tem como foco principal, destacar os políticos que possuem algum tipo de condenação. Com um plugin instalado no navegador os nomes que estiverem no sistema ficaram marcados de roxo e dará acesso a respectiva ficha.

Outro aplicativo que tem grande relevância para a sociedade é o Meu Deputado. Anderson Kloss, Claudio da Silva Dias Junior, Felipe Vielitz, Gianfranco Meneguz, Kévin Cardoso de Sá são os idealizadores e desenvolvedores do aplicativo, que através da inteligência artificial, captam as informações dos deputados por meio de um robô, o qual compila os dados em um só local. O programa conta com aproximadamente 40 mil usuários, o que faz com que se destaque no âmbito tecnológico.

Essa inteligência cresce gradativamente por ser um facilitador que simula a capacidade humana de operar, assimilando suas características ao humano por ser inteligente. Cláudio da Silva Dias Junior explica que a ideia surgiu depois da participação em um programa de capacitação para desenvolvimento iOS, sistema operacional da Apple. Aliando a tecnologia com a inquietação das pessoas em estarem informadas e menos distantes dos políticos, surgiu o aplicativo Meu Deputado, com facilitadores para acessar os dados dos candidatos, se comparados ao site da Câmara.

As informações que são captadas pelo robô e distribuídas aos usuários estão entre os gastos de cada deputado em jantares, viagens que devem ser comprovados com cupom fiscal, além do dinheiro gasto em campanhas. “A gente fez um cálculo base, bem por cima. Cada deputado tem um custo de R$ 75 mil para os cidadãos, multiplica por 513 que é o número de deputados ativos”, destaca Claudio da Silva Dias Junior. Ele acredita que, hoje, as pessoas estão muito desesperançosas em relação à política. “Esse foi o jeito que achamos para ajudar essas questões na sociedade. Tudo é política, se parar para pensar. As leis que eles aprovam impactam diretamente no nosso cotidiano, e o quanto estamos por dentro disso?” Ainda questiona: “Será que esse aqui gastou dinheiro público ou meu dinheiro certo realmente? A gente obviamente não tem como ver se desviou ou não desviou, a gente só mostra informações e, a partir do aplicativo, a gente redireciona para o site da Câmara, onde têm todas as notas fiscais. Então, cabe a nós como cidadãos indagar e questionar”, sugere ele.

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