Autoritarismo e informação confiável são desafios para exercício do jornalismo hoje

É preciso ter boas fontes, checar a veracidade da informação e sobre tudo, respeitar o seu receptor.

  • Por: Daniela Flores (5º semestre), Fabiane Cunha (2º semestre), Sofia Guedes (1º semestre) e Victória Paz (4º semestre) | Foto: Nicolas Chidem (7º semestre) | 09/04/2019 | 0

7 de abril, dia do jornalista. Mas o que é ser jornalista? Do dicionário, substantivo masculino e feminino, pessoa que trabalha ou escreve em órgão da imprensa periódica. Profissional que se entregar para a notícia fazendo com que ela chegue em seu público alvo. O Dia do Jornalista foi criado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) como uma homenagem a Giovanni Battista Libero Badaró, importante personalidade que lutou pelo fim da monarquia portuguesa e independência do Brasil.

Mas, hoje o grande desafio de “uma imprensa de comunicação é retomar a confiabilidade procurando fazer aquilo que está nos manuais mais simples do jornalismo desde o século XIX. É preciso ter boas fontes, checar a veracidade da informação e sobre tudo, respeitar o seu receptor”, diz o professor e pesquisador Antonio Hohlfeldt, da Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da PUCRS.

O professor conta que o problema do jornalismo brasileiro é uma situação absolutamente nova de tecnologias que descentralizam toda e qualquer possibilidade de controle sobre circulação de informação pelo jornal, rádio ou televisão. Na era da globalização, a comunicação está cada vez mais rápida e conexa. É possível saber da informação do outro lado do mundo em questão de segundos. Em consequência, as fake news surgem como pauta principal para os meios de comunicação e a veracidade se torna questionável. “Aliás, quem está falando a verdade? Em quem o público pode confiar”, questiona o professor Hohlfeldt.

Para Maria Teresa Cruz, jornalista do canal contra hegemônico Ponte Jornalismo, o grande problema que o jornalista enfrenta atualmente é o autoritarismo e a estrutura de trabalho. Para ela, a chegada das novas mídias foi interpretada de uma forma errada, pois o que era para ser um meio positivo de comunicação, acabou criando a crise de credibilidade. “Com o governo de Wilson Witzel, no Rio de Janeiro, e o governo de João Dória, em São Paulo, que assumem posturas autoritárias, é difícil conseguir ter liberdade, segurança e tranquilidade para o exercício jornalístico ”, afirma a jornalista.

Maria Teresa se tornou pauta da mídia em razão da censura que sofreu na quinta-feira (4/4), ao participar de uma coletiva de imprensa da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, do governo João Doria (PSDB), a respeito da ação da Polícia Militar em Guararema, São Paulo, que terminou com 11 mortos. Nesta coletiva, a jornalista do canal Ponte Jornalismo não pode fazer perguntas para os militares presentes. Em entrevista ao Editorial J, Maria Teresa conta que informar em uma sociedade autoritária não dá ao jornalista o direito pleno de informar com veracidade se não houver democracia. “É claro que temos lado! O meu, por exemplo, é o dos direitos humanos. Mas isso é suprapartidário, assim, posso ter liberdade de criticar”, ressaltou.

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