De carona, Patricia faz mochilão pelo Brasil e realiza trabalhos voluntários

Para conseguir viajar sem gastar, ela troca trabalho e conhecimento por hospedagem e alimentação

  • Por: Luana Casagranda (4° semestre) | 29/08/2017 | 0

Há sete meses a ex-jornalista Patricia Kretzmann (34) viaja pelo Brasil de carona. Foram mais de dez mil quilômetros rodados com passagem pelo Pará, Pernambuco, Amazonas, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Seu propósito é realizar trabalhos voluntários, ensinando Yoga para crianças e palestrando sobre educação infantil. Para se sustentar, utiliza uma plataforma online que permite aos viajantes trocar trabalho por acomodação e, muitas vezes, alimentação. Quando necessário, ela também vende brigadeiros e pulseiras. Patricia, esteve no Parque da Redenção, em Porto Alegre, e falou sobre como sobreviveu estes primeiros meses de carona sozinha pelo país.

Durante o bate-papo, Patricia deu dicas de segurança para viajar de carona. Crédito: arquivo pessoal.
Durante o bate-papo, Patricia deu dicas de segurança para viajar de carona. Crédito: arquivo pessoal.

Após terminar um relacionamento e estar passando por um momento conturbado, Patricia decidiu se aventurar pelo Brasil. A viagem começou como um teste. Ela foi de carona de São Paulo, onde morava, ao Rio de Janeiro com apenas R$ 50 na carteira. Decidiu, então, começar seu mochilão. A primeira parada foi em Florianópolis, trabalhando na recepção de um hostel. Depois, seguiu para a Ilha de Itamaracá, em Pernambuco, onde ensinou inglês para uma criança, também em troca de hospedagem e refeição. No Pará, fez trabalho voluntário com aulas de Yoga em uma escola indígena e ministrou um workshop de educação focado para pais “Hoje para mim viajar tem um propósito, que é fazer trabalho voluntário. Em 2012, fiz um mochilão pelo Brasil e conheci sete estados, mas voltei para casa e o vazio voltou junto comigo”, diz Patricia.

Na Ilha de Itamaracá (PE), Patricia ensinou yoga em uma escola pública. Crédito: arquivo pessoal.
Na Ilha de Itamaracá (PE), Patricia ensinou yoga em uma escola pública. Crédito: arquivo pessoal.
O deslocamento de um destino para outro é feito na maioria das vezes de carona com caminhoneiros. Para sua segurança, ela traça algumas estratégias “Abro a porta do caminhão e falo: Eu tenho medo de viajar sozinha, minhas amigas e minha mãe ficam preocupadas. Vou precisar que você ajude a cuidar de mim na estrada. Aí, já passo a responsabilidade para ele. É uma maneira de você manipular para o bem”. Além disso, antes de seguir viagem, ela manda foto da placa do veículo, nome do motorista e onde será seu destino final para um grupo no WhatsApp que acompanha sua viagem “Preciso deixar claro que não estou viajando sem pensar que pode acontecer alguma coisa comigo”, explica. Sobre assédio, ela garante que nunca sofreu e acredita que isso se deve ao seu discurso adotado.

Agora, o próximo destino será o sertão nordestino, região do Brasil em que ainda não funcionam as plataformas de viagem e trabalho voluntário utilizadas por Patricia. Ela planeja seguir com o mochilão por mais dois anos e, depois, se estabelecer em algum lugar, mas sem deixar de lado o trabalho voluntário e uma vida simples. “Este é meu estilo de vida e acho que a viagem me fez ter muita certeza disso”.