Garimpando novos talentos

Fábio Seixas, responsável pelo programa de treinamento da SporTV, contou como são selecionados os futuros profissionais

  • Por: Analine Broniczack (5° sem.) | 17/06/2016 | 0

No dia do anúncio do novo técnico da Seleção Brasileira (15/6), após a saída de Dunga, a redação da SporTV estava bem agitada, com os novos desdobramentos do fato. Mesmo assim, o segundo convidado da série de cinco hangouts de comemoração dos cinco anos do Laboratório de Jornalismo da Famecos – Editorial J, Fábio Seixas, reservou um espaço para compartilhar, com os alunos, sua experiência na profissão e, principalmente, falar do programa de trainee da emissora.

O Passaporte SporTV é um programa de treinamento para jovens jornalistas. Está na quarta edição e já passaram pelo programa 41 repórteres. Desses, 32 viajaram para o exterior e cerca de 90% dos profissionais continuaram trabalhando na Rede Globo. O treinamento inverte a lógica do jornalismo, pois “normalmente começa-se cobrindo buracos, e depois vai crescendo na empresa até chegar a repórter especial”, comentou Seixas. Ainda no treinamento a maioria entra como correspondente internacional. “O programa é um garimpo de novos profissionais que vêm com uma visão diferente sobre o jornalismo”, por isso a aposta, relatou Seixas que também é chefe de reportagem do SporTV.

A seleção acontece a cada dois anos. Lança-se o edital nas redes sociais, no site e vincula-se na programação. Após, tem uma primeira prova  de redação, o primeiro filtro. Em seguida, integrantes do setor de recurso humano da Globo vão aos estados e organizam dinâmicas de grupos. É extremamente importante a fluência no idioma inglês. Dos quatro mil inscritos na última edição, 60 foram pré-selecionados e chamados à São Paulo. No final, nova seleção escolheu oito profissionais.  O próximo processo de seleção será em 2017, os escolhidos irão cobrir a Copa do Mundo da Rússia.

O programa busca profissionais com excelente nível de inglês, pois terão muitas experiências internacionais e “um bom nível de cultura geral”. O coordenador do programa de trainee sustenta que “não quero jornalista esportivo, quero jornalista e ponto. Se tiver na Rússia e acontecer uma crise econômica, terá capacidade de produzir conteúdo para Globo, e a Globo News”, explicou Seixas. A emissora aposta, no programa, na expectativa de um olhar diferente sobre a reportagem.

Seixas iniciou a carreira na Rádio Trianon de São Paulo. Depois, trabalhou no jornal Folha de São Paulo durante 18 anos. Foi repórter de Fórmula 1, sempre viajou muito. Aprendeu se virar, pois fez muita viagem sozinho. “Já passei matéria pelo telefone público. Em 2010, na Copa do Mundo da África do Sul, fui a 31 países que disputaram o evento, assim mostrando como cada um acompanhava e torcia pela sua seleção. E, tinha que atualizar as redes sociais, o blog, e ainda escrever duas páginas diárias no jornal”. Neste período, ele contratou 31 cinegrafistas, para mostrar o que ocorria nos países, material que posteriormente virou filme “O mundo que torce”, vinculado pelo SporTV. Entre as funções que acumula, Seixas diz que “o Passaporte é a coisa mais legal que faço na emissora, é muito gratificante”.

Confira a conversa completa: