Hortas Comunitárias recuperam áreas abandonadas

Grupo de moradores do Centro Histórico cria associação para produzir alimentos em locais desocupados

  • Por: Jonas Melgaré (3º semestre) | Foto: Jonas Melgaré (3º semestre) | 24/10/2017 | 0
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Hortas comunitárias ocupam o Centro Histórico da Capital

Com o objetivo de produzir plantas medicinais, alimentícias e frutíferas, grupos de moradores do Centro Histórico de Porto Alegre passou a ocupar, desde fevereiro de 2016, terrenos abandonados naquele bairro para cultivar hortas, sob o manejo orgânico.  “Construímos uma horta na Escola Municipal Porto Alegre para jovens e adultos em situação de risco, ministramos várias oficinas, conseguimos um terreno privado que estava abandonado na escadaria da rua João Manoel”, relata Carmem Fonseca, líder da Associação das Hortas Coletivas do Centro Histórico (AHCCH).

Através de um contrato de comodato, moradores criaram a Horta Comunitária da Formiga e trabalham na revitalização da escadaria da João Manuel, local tombado, ponto turístico da cidade que estava completamente abandonado pelo poder público, observa Carmem. Além de produzir alimentos no terreno, a associação também promove ações de educação ambiental e segurança alimentar.

Com este trabalho, o coletivo vem atraindo moradores, não só do bairro Centro, mas também de outras regiões da cidade. O grupo se fortalece através do empenho dos integrantes, de suas ações colaborativas, e da troca de experiências entre os próprios integrantes. ‘’A proposta de trazer esse tema ‘rural’ para o urbano é muito bacana, aproxima as pessoas de temas como alimentação, de onde vêm os produtos, discute outras possibilidades de alimentos, resgata o conhecimento das pessoas através de conversas sobre uso de chás e trocas de receitas’’, afirma Caroline Kolinski, formada em Agronomia e primeira secretária da associação.

A Associação das Hortas Coletivas do Centro Histórico (AHCCH) surgiu a partir de uma simples ideia de moradores do Centro de fazer uma horta comunitária. Desde então, início de 2016, o grupo esteve várias vezes na Câmara de Vereadores, onde descobriu que terreno público ou privado que estiver abandonado há, pelo menos, 10 anos, pode ser utilizado para a realização de projetos em benefício da população. Para isso, o grupo deve formar uma associação ou uma organização não governamental (Ong). Assim, foi criada a AHCCH.

Laci Hoffmann, uma das integrantes do coletivo, inscreveu a Horta Comunitária da Formiga no prêmio “Acolher’’ da empresa Natura, que doa R$ 10 mil para o grupo vencedor. O prêmio conta com mais de mil inscritos. Apesar da disputa, o grupo já pensa em como aplicar esse dinheiro que seria usado na compra de materiais, água e luz para ajudar no plantio da horta.Um dos projetos em andamento da horta é o vínculo com o cooperativa Paulo Freire que trabalha com resíduos eletrônicos, localizada na rua Voluntários da Pátria (antiga Vila dos Papeleiros). A maioria dos funcionários são moradores de rua ou se encontra em situação de vulnerabilidade social. Os funcionários ganham apenas por produção. Nessa cooperativa existem muitos terrenos e um galpão, onde seriam plantados alimentos como alface e tomate”, explica Laci. O projeto prevê uma horta no local para que os funcionários possam plantar e consumir seu próprio alimento, visto que muitos deles têm pouco recurso para comprar comida. “A ideia do projeto não é financeira e sim, social’’, reforça Laci. Segundo ela, só falta firmar um acordo com a cooperativa, pois já há uma autorização para ocupar o espaço.

A associação tem ainda muitas metas a serem alcançadas, revela Carmem Fonseca. Pretende continuar revitalizando a escadaria da João Manoel, ministrar oficinas sobre o tema, criar hortas em escolas municipais de educação infantil e também uma horta no sétimo andar da Casa de Cultura Mário Quintana. O coletivo também deseja se tornar um ponto de estudo e referência em hortas urbanas, não apenas para a comunidade do Centro, mas também, para outros grupos engajados no mesmo princípio. Neste sábado, 28 de outubro, a associação promove oficinas e palestras sobre o plantio e manejo de hortas urbanas.