Moda para pequenos

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Enquanto o mercado da moda não para de crescer, uma minoria, não tão minoria assim, fica a margem, sem investimentos no setor. Estima-se que, a cada 25 mil nascimentos, um ser humano seja portador de nanismo. Não há estudos que contabilizem a quantidade de anões existentes no Brasil, mas o fato é que são centenas de milhares de pessoas que vivem num espaço urbano projetado para gente alta, no qual ser pequeno se torna um desafio até mesmo na hora de se vestir.

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Vanderlei Linck, 31 anos, é portador de nanismo e, assim como sua namorada Lilian Ávila de Aguiar, 23 anos, não consegue se vestir, a não ser mandando suas roupas gigantes para ajustar na costureira. “Acho que, se existem lojas especializadas para pessoas com sobrepeso, deveriam existir para nós também”, reclama Vanderlei. “Só nós sabemos o quanto é difícil de encontrar roupas para o nosso tamanho”, completa Lílian.

Vanderlei conta que, hoje, quando chega para comprar roupas nas lojas, é atendido diretamente no setor adulto, mas há alguns anos era direcionado ao departamento infantil. “Atualmente, já é bem melhor a forma como me tratam, como um cliente comum. Antigamente, os atendentes tentavam vender roupas infantis devido ao tamanho”, explica.

Outra dificuldade é na hora de comprar calçados, já que os ajustes essenciais nas vestimentas são impossíveis. É preciso apelar para os sapatos infantis. “É quase impossível encontrar sapatos sociais para tamanhos abaixo da numeração 37, é algo muito difícil no Brasil. Hoje, com muito sacrifício, digo hoje por que é atualmente mesmo, antes não existia, conseguimos encontrar alguns modelos infantis imitando os modelos adultos”, explica Vanderlei. No universo feminino, as dificuldades também são enormes, principalmente quando o assunto é a compra de sandálias. “Eu, por exemplo, calço 33 e é extremamente complicada a compra de sandálias, pois as que existem no mercado são totalmente infantis, não para uma mulher de 23 anos”, explica Lilian.

Um exemplo raro no mercado brasileiro de moda é a estilista Carina Casuscelli, idealizadora da marca “A moda está em baixa – pela democracia dos corpos”. Carina, 32 anos e um currículo cheio de premiações, produz roupas conceituais para mulheres com nanismo. “Sempre fui antenada com a questão da diversidade. Antes de trabalhar e estudar moda, já atuava no meio teatral como atriz e figurinista e tive a oportunidade de conhecer pessoas com perfis bem diferentes, inclusive atrizes com nanismo. Foi aí que nasceu a ideia de pesquisar e entender a ergonomia dos corpos”, explica Carina.

O primeiro projeto concreto de Carina surgiu na elaboração do trabalho de conclusão de curso da faculdade de moda. Apesar de muitos a desestimularem, afirmando que seu trabalho focado em pessoas com nanismo não possuía mercado suficiente, ela não desistiu. “Hoje fico feliz de ter sido uma das estudantes pioneiras nesse ramo. Este mês comemoro 10 anos atuando com moda para as pequenas. Por isso, acho importante não só comercializar as peças, mas também promover palestras, desfiles e campanhas elegendo mulheres com nanismo a serem protagonistas de ações de publicidade e catálogos de moda”.

Para a comemoração desses 10 anos, Carina está trabalhando na realização do segundo desfile intitulado “A Moda está em Baixa”, que será realizado no Rio de Janeiro. A primeira edição ocorreu no ano passado no Teatro Commune em São Paulo, com o tema Cabaré. “Foi um enorme sucesso, muitas pessoas se identificaram devido à beleza da diversidade. O que foi promovido foi a integração de mulheres e não a inclusão”, explica Carina.

Texto: Laila Dubina

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