Moda plus size é desafio no Brasil

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 2008 e 2009 revelou que o Brasil está engordando. A porcentagem de mulheres acima de 20 anos com sobrepeso saltou de 18,5%, em 1974, para 48% em 2009. Em relação aos homens dessa mesma faixa etária, 50,1% fazem parte deste grupo, contra apenas 18,5% na década de 1970. O IBGE segue o padrão da Organização Mundial da Sáude (OMS) para classificar o sobrepeso: o Índice de Massa Corporal (IMC) deve ser superior a 25%. No Brasil, 16,9% das mulheres e 12,4% dos homens com mais de 20 anos estão obesos, ou seja, apresentam IMC maior que 30%.

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Arquivo pessoal / Litha Bacchi
Arquivo pessoal / Litha Bacchi

Ainda que quase metade das brasileiras esteja acima do peso, é difícil para a população mais cheinha encontrar roupas modernas e confortáveis nas araras. A estudante de arte visuais Litha Bacchi, manequim 50, enfrenta dificuldades para achar roupas do seu número dentro das tendências atuais: “Não encontro roupas com facilidade. Existem marcas de roupas plus size em Porto Alegre, mas todas elas são caras demais para o meu bolso. A maioria faz um estilo mais profissional, o que pra mim é um problema, já que tenho 22 anos e gostaria de roupas mais jovens.”

As maiores lojas de departamentos do Brasil oferecem uma linha plus size de roupas, ou seja, de tamanhos grandes. No entanto, a variedade de peças ainda é pequena. Litha, que até o início de 2011 possuía um blog sobre moda para gordinhas, acredita que as coleções são pouco divulgadas e pecam pela falta de opções. Sobre uma dessas tentativas, ela diz: “A coleção foi mal sinalizada na loja e as roupas eram feias. Quando perguntei às vendedoras por que não tinha sinalização na arara, elas responderam que era para ‘não constranger as clientes’. Total despreparo, constrangedor foi a resposta dela.”

A Mulher Bonita, loja de Porto Alegre especializada em moda GG, oferece opções também às clientes mais jovens. A loja trabalha com multimarcas e os tamanhos variam do 44, geralmente o maior encontrado nas coleções regulares, até o 60. Ana Márcia Wagner, vendedora da Mulher Bonita, afirma que as roupas para gordinhas também precisam ter uma modelagem diferenciada: “É preciso cuidar o caimento, por isso há muitas peças com molde evasê (que se alarga a partir da cintura) e também é importante que a roupa possa espichar, como as feitas com tecido de elastano.”

A moda plus size no Brasil está caminhando a passos lentos. As lojas de departamentos começam a demonstrar interesse em atingir essa faixa do público, no entanto, as peças ainda seguem o velho pensamento de que roupa para gordinhos só precisa ser grande. Isso não é verdade, pois essas clientes buscam, além de conforto, roupas bonitas e com estilo. Algumas lojas especializadas já oferecem uma linha jovem, mas os modelos, apesar de seguirem as tendências, não cabem no bolso de todas. Litha cita exemplos estrangeiros de sucesso: “O que eu gostaria do mercado são lojas como a Forever 21 dos Estados Unidos, que tem roupas jovens plus a preços mais do que acessíveis, ou a Asos, loja britânica com coisas muito legais e tamanhos bastante grandes”.

Texto: Karine Paixão

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