Prazer, Editorial J

Inscrições para o laboratório de jornalismo da Famecos vão até o dia 16 de agosto.

  • Por: Eduardo Lesina (3º semestre) e Luiza Meira (8º semestre) | 09/08/2017 | 0

Próximo de completar seis anos de existência, o Editorial J abriu seu processo de seleção para o segundo semestre de 2017. O laboratório de jornalismo, criado em 2011, foi parte de uma mudança estrutural dentro da faculdade de jornalismo da PUCRS. “Uma pesquisa que alia teoria e prática desde o seu início, cujas provocações vêm de experiências laboratoriais e de redações jornalísticas daqui e de fora do Brasil”, explica o professor coordenador do Editorial J, Fábio Canatta. “A ideia principal era trabalhar com um jornalismo convergente, experimentando uma redação multimídia com esse propósito”.

Esse ideal de convergência é levado como um “sobrenome” do Editorial J – o laboratório de jornalismo convergente da Famecos/PUCRS. A ideia de convergência se materializa na rotina do Laboratório e nas dinâmicas de trabalho que envolvem os alunos na produção de conteúdo multimídia entre os núcleos presentes dentro da redação: áudio, digimpresso (digital + impresso), foto, e vídeo. Dentro desses núcleos, existem professores e professoras especializados na área, que supervisionam o trabalho, como Canatta, Ivone Cassol, Silvio Barbizan, Flávia Campos de Quadros, Marcelo Fontoura e Tércio Saccol. Além deles, os alunos editores, um por núcleo, e alunos voluntários mantêm a programação diária da redação. “A convergência impulsiona a interação entre os núcleos, o que afeta alunos e professores em um aprendizado mútuo, gerando discussões sobre todos os segmentos durante a rotina de trabalho”, explica Ivone, professora responsável pelo núcleo digimpresso e pela organização das pautas no Editorial J.

Nesses anos em ativa, muitos foram os alunos que participaram e seguiram para o mercado de trabalho. Pedro Henrique Tavares, ex-aluno que participou do Curso Abril de Jornalismo, um dos mais tradicionais cursos de iniciação editorial para recém-formados, vê o Editorial J como tendo sido fundamental para que fosse admitido na Revista Veja. “Maior aprendizado é o exercício de pensar no jornalismo diariamente, acho que a gente não faz isso no mercado, infelizmente, primeiro por falta de tempo, trabalhando numa lógica digital que visa cliques para reverter em receita. A gente não tem tempo de pensar no que a gente está fazendo e, principalmente, para quem a gente está fazendo. Pensamos muito em jornalismo dentro do Editorial J, pensando em quem vamos atingir e qual a função social desse trabalho”, reflete.

As primeiras experiências dentro do laboratório propiciam ao aluno-repórter um mundo de descobertas práticas no jornalismo. Para a ex-editora do núcleo de foto, atualmente no Correio do Povo, Roberta Requia, essas descobertas fazem parte do melhor do Editorial J: “independente do núcleo, o J prepara a gente para trabalhar como repórter. Ele nos proporciona a primeira ligação, a primeira entrevista, a primeira pauta de rua, as primeiras vezes que tu tem que abordar alguém na rua. E é sempre maravilhoso poder ter esse espaço para praticar.”

Eduarda Endler Lopes, ex-editora dos antigos núcleos impresso e convergente, e atual estagiária do Grupo RBS, no Diário Gaúcho, reafirma a importância de utilizar o Editorial para produzir material para o portfólio. “Nenhum lugar permite que tu invente a própria pauta, que escreva reportagens sobre o que deseja. O Editorial permite que cada um crie o portfólio conforme deseja – o que acontece de acordo com a vontade de ir além de cada um”, relata.

Dentro da ideia de criação que parte dos alunos, o Editorial J concretizou características próprias que seguem como instrumento no fazer jornalístico da redação. Dentro delas, as coberturas ao vivo, principalmente nas eleições, iniciada em 2012 e incorporada à rotina nas eleições subsequentes, e em mobilizações políticas – como as eleições municipais de 2016  e a Greve Geral deste ano, além de podcasts produzidos pela Famecos Cast. Isso é lembrado pela repórter da BandNews e ex-editora de áudio do J, Bibiana Garcez. Dentro do Editorial ela pôde, junto dos alunos e sob a orientação do professor Tércio, desenvolver mais do que a programação ao vivo diária, inovando com podcasts de conteúdos aprofundados sobre temas polêmicos. “Eu acho que o J me deu uma noção muito grande de jornalismo, me deu força para pensar em novas propostas e resistir a um jornalismo superficial”, conta Bibiana.

Para os novos “Jotas” (alunos estagiários), Kamylla Lemos, ex-repórter do laboratório e atualmente estagiária da RBS, dá algumas dicas: “quando você se sentir muito confortável, mude de núcleo. Experimente. Se é do áudio, faz uma pauta para o impresso, para o vídeo. Passe uma tarde com o pessoal da foto. Aprender não apenas com os professores, mas com os colegas.” As inscrições vão de 2 a 16 de agosto, com provas de seleção na quinta-feira (17).

Confira o vídeo e conheça a nossa rotina: