Problemas de infraestrutura nos terminais de ônibus trazem transtornos aos usuários do transporte público

Falhas na cobertura, falta de banheiros e bancos são alguns dos incômodos

  • Por: Camila Pereira (1º semestre) | Foto: Nádia Probst (1º semestre) | 26/10/2017 | 0

A conservação dos terminais de ônibus em Porto Alegre é um problema que afeta diariamente os usuários que se locomovem através do transporte público. Os principais transtornos encontrados nos terminais da capital estão relacionados à falta estrutura dos locais, que possuem falhas na cobertura, ausência de banheiros e bancos, além da baixa limpeza apresentada em alguns pontos.

O Editorial J visitou terminais localizados nas zonas Leste, Sul, Norte e Centro de Porto Alegre para verificar a conservação da infraestrutura desses ambientes. Foram analisados parâmetros como limpeza, presença de latas de lixo, presença de bancos, iluminação, cobertura, sinalização das linhas, acessibilidade, banheiros, faixa de segurança para travessia dos pedestres, semáforo próximo ao terminal, fiscalização dos ônibus e presença de policiamento.

Goteiras e infiltrações a partir dos pilares foram problemas apontados na maioria dos terminais visitados, com destaque para o Terminal Triângulo. Localizado na Avenida Assis Brasil, Zona Norte da cidade, a cobertura é o maior transtorno para quem passa por ali todos os dias. Destelhada após um vendaval em 2014, boa parte da estrutura ainda não teve reformas e completará aniversário no dia 20 de dezembro. Já a falta de banheiros é um incômodo percebido nos terminais Antônio de Carvalho, localizado na Avenida Bento Gonçalves, e no Centro Popular de Compras (CPC), localizado na Avenida Júlio de Castilhos. Neste último, inclusive, há um forte odor de urina. Ainda no CPC, a falta de bancos é sentida pelos usuários, que aguardam em pé. Problema também vivenciado pelas pessoas que  utilizam o Terminal Azenha (também localizado na Avenida Bento Gonçalves, mas que atende a Zona Sul), que se refugiam do tempo de espera sentados nos cordões.

A falta de acessibilidade mais prejudicial foi encontrada no Terminal Antônio de Carvalho, onde há apenas uma rampa de acesso, distante da faixa de segurança. Já o Terminal Restinga Nova, localizado na Avenida Economista Nilo Wulff, outro ponto na Zona Sul da capital, é destaque positivo nesse aspecto, com rampas bem posicionadas e demarcações para deficientes visuais. Essas demarcações também estão presentes no Terminal Triângulo. Entretanto, os elevadores que dão acesso às ruas estão fechados há um bom tempo e a falta deles compromete parte do acesso de deficientes físicos ao local, já que esse acesso é feito por meio de um túnel subterrâneo, considerado inseguro por algumas pessoas. Em razão disso, muitos usuários preferem não utilizar o túnel, e se arriscam atravessando por entre os veículos.

Apenas no Terminal CPC foi encontrado policiamento durante as visitas feitas. A falta de segurança foi um problema apontado principalmente no Terminal Restinga Nova, onde comerciantes que trabalham no local relataram ocorrências frequentes de assaltos nos banheiros, geralmente na parte da noite.

Parâmetros como a iluminação e a presença de latas de lixo foram praticamente unânimes em todos os terminais, havendo boa estrutura das lâmpadas e um número considerável de locais para descarte de resíduos. No Terminal Triângulo foi percebida a melhor sinalização das linhas de ônibus, com uma placa central e marcações visíveis nos pontos específicos. Já o CPC teve a pior avaliação no quesito limpeza, por haver dejetos de cavalos em uma das plataformas de circulação dos usuários.

No Terminal Azenha, uma pessoa que trabalha no local e não quis se identificar relatou que o pátio onde os ônibus circulam é utilizado por adolescentes para jogar bola, o que traz riscos de acidentes. Situação oposta à encontrada no Terminal Restinga Nova, onde verificou-se que a área que deveria ser destinada ao estacionamento dos ônibus é de chão batido e está fechada pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), devido a reclamações dos moradores em razão da poeira levantada com a movimentação. Desse modo, os ônibus ficam estacionados na própria Avenida Nilo Wulff e em ruas próximas.

Até o momento de fechamento da reportagem, a EPTC não tinha agenda para realizar esclarecimentos sobre os problemas nos terminais e a fiscalização.

 

Confira as galerias dos terminais de ônibus:

Terminal Triângulo

Terminal de ônibus Triângulo

 

Terminal Restinga Nova

Terminal de ônibus do bairro Restinga

 

Terminal Camelódromo

Terminal de ônibus do camelódromo

 

Terminal Azenha

Terminal de ônibus da Azenha

 

Terminal Antônio de Carvalho

Terminal de ônibus Antônio de Carvalho