Saint’Hilaire: histórias e a revitalização sofrida ano passado

Engenheiro florestal da SMAM conta sobre os 10 anos envolvido na gestão de um parque rico em biodiversidade, mas que carece de cuidados

  • Por: Lourenço Marchesan (5º semestre) e Isabella Britto (3º semestre) | Foto: Pedro Del Fabro (7º semestre) | 11/06/2019 | 0

Os 1148 hectares já poderiam dimensionar a importância que tem o Parque Saint’Hilaire, localizado entre Viamão e Porto Alegre. Mas a relação com os frequentadores, cheia de histórias curiosas, representa muito mais que isso. Em torno de 125 mil pessoas por ano visitam o parque, usufruindo do espaço para a prática de esportes, artes marciais, religião, e claro, para conhecer a rica biodiversidade do Saint’Hilaire.

Quem conhece o assunto é Gelson Mainardi, natural de Santa Maria e hoje engenheiro florestal na Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Porto Alegre (SMAM). Responsável técnico pelo Saint’Hilaire a partir de 2009, ele foi o gerente do parque de 2012 a 2018. Neste período, esteve à frente do imbróglio administrativo do local que envolve Viamão e Porto Alegre.

A falta de definição quanto a quem assumirá a gestão administrativa do parque Saint’Hilaire vem causando uma série de problemas de manutenção do parque. Problemas como falta de estrutura, como no casos de banheiros que deveriam funcionar para atender os visitantes e que hoje se encontram interditados pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), e o corte drástico no número de funcionários (25 no início de sua gestão e 17 no final) são algumas das dificuldades recorrentes no parque, assim como a falta de capina.

Mas o que mais vem prejudicando a gestão do parque é o impasse entre Porto Alegre e Viamão, que acaba por não definir quem tem a responsabilidade sobre a região, que se situa em maior parte no município de Viamão. O município pede que Porto Alegre mantenha os materiais usados na manutenção do parque e que pague uma parte dos salários. Por questões de ajustes no acordo, não há uma decisão tomada e o parque Saint’Hilaire fica abandonado perante a gestão pública.

Em contraste com este cenário, um dos principais responsáveis pela revitalização do parque nos últimos anos, segundo Mainardi, foi a parceria realizada no primeiro semestre de 2018 com o Laboratório de Ecologia de Insetos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). No início de 2018, alunos do curso de biologia da UFRGS idealizaram um projeto visando à interação com o público, fazendo um levantamento sobre as espécies de borboletas existentes no parque. Na semana do meio ambiente (de 1º a 5 de junho), placas foram instaladas contendo a identificação e características de cada espécie.

A borboleta é um dos insetos com maior diversidade em sua espécie, podendo ter um ciclo de vida que vai de duas semanas a um mês, variando conforme a espécie. A presença dela no meio ambiente indica o bem-estar do ecossistema, o que atesta a biodiversidade do lugar. Na última quinta-feira (06), alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental São Pedro, localizada na Lomba do Pinheiro, seriam recepcionados pela organização do parque e por professores de biologia da UFRGS, mas o encontro acabou não ocorrendo. Diante do imprevisto, a visita foi remarcada para 18 de junho, ainda não confirmada pelos responsáveis.

Ao indicar o mapa que os estudantes da UFRGS elaboraram como guia, Mainardi enaltece o papel que tiveram na sobrevida do parque: “isso aqui é tudo para nós. A parceria com a universidade foi essencial para trazer novidades ao Saint’Hilaire”. A cada passo dado, ele conta uma história diferente que vivenciou durante os seis anos sob sua gestão. “Encontra-se de tudo aqui, cachorros são abandonados pelos donos e permanecem aqui. Preservativos também, que era de um sujeito que costumava deixá-los pelo parque para causar medo em quem estivesse caminhando. Até que um dia um dos zeladores disse a ele que estavam procurando o responsável por isso. Ele nunca mais voltou”, sorri.

Nos finais de semana com sol, em época de verão, ele conta que cinco mil pessoas chegam a visitar o parque. Depois de tanto tempo, os laços de Mainardi com os 1148 hectares entre Viamão e Porto Alegre permanecem fortes. 

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