Solidariedade contribui para a formação profissional

Cada vez mais as empresas consideram o voluntariado um diferencial na hora de contratar um profissional. O ato é valorizado por refletir a conduta do futuro empregado e está presente em por todos os ambientes e dimensões das pessoas.

Estas ações são observadas no convívio social, nas organizações, comunidades e família, além das relações pessoais. Para Lise Ortiz, consultora da Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social, “a dimensão social é a base do capital social que pode desenvolver uma sociedade”. Esse desenvolvimento existe também na cidadania que desdobra a visão individual para a visão do todo. Também provoca a busca de inovação, pois o voluntário constantemente precisa superar desafios com condições adversas.

“No campo organizacional, o agente busca o comprometimento voluntário com a empresa, e o comunitário é reforçado no compromisso com a sua micro-geografia, local”, acrescenta Ortiz. As dimensões familiar e pessoal são explicadas como o “fortalecimento dos laços de união e amor familiar, além do desenvolvimento integral da pessoa humana e do alcance do sentido a vida”, conclui.

A realização pessoal é observada inclusive na decisão de pessoas comuns em fazer com que esse tipo de projeto dê certo, pois oferecem seu tempo e seu carinho. “Ser voluntário é um hábito do coração e é algo que vem de dentro da gente e faz bem aos outros. No voluntariado todos ganham: o voluntário, aquele com quem o voluntário trabalha e a comunidade”, destaca Mariana Kotrisch, diplomada em Psicologia da PUCRS e voluntária desde o primeiro semestre da Faculdade.

O profissional diferenciado

O setor empresarial tem demonstrado cada vez mais a valorização dos currículos profissionais que apresentam, dentre os aspectos de formação e prática profissional, o da atuação voluntária. Empresas atentam para a experiência em projetos sociais como um fator evidente do bom desenvolvimento pessoal e profissional.

“A Braskem, considerada a maior petroquímica das Américas, tem adotado como um dos critérios de seleção para preenchimento de vagas de emprego a participação como voluntário”, afirma Guilherme Guaragna, diretor de Empreendimentos da Braskem, Triunfo/RS. E acrescenta: “Se eu tenho dois candidatos a uma vaga. Um com experiência profissional e o outro não, mas o segundo tem experiência em um consistente projeto voluntário, a vaga é dele”.

Técnicas para seleção de candidatos a empregos tentam localizar o perfil ideal para uma empresa. “As principais multinacionais buscam profissionais através de técnicas de Recursos Humanos como a Myers Briggs type Indicator (MBTI), que busca medir a extroversão/introversão, intuição/julgamento, sensatez/sentimento, pensamento/percepção, dentre outros. Mas essas técnicas não dão conta de certas características e habilidades imprescindíveis”, alerta Guaragna.

Na dimensão pessoal, aparecem valores e virtudes como fortaleza, paciência, humildade, tolerância. A atuação em projetos sociais pode garantir um diferencial no currículo na hora de uma entrevista de emprego. Proporciona desenvolvimento de competências de gestão, habilidades no relacionamento, foco no resultado e trabalho em equipe.

O voluntário também demonstra espírito de servir, habilidade no enfrentamento de crises, criatividade, comunicação e compreensão da transcendência. Este último aspecto é consequência de compreender um sentido maior nos atos feitos gratuitamente, através da realização dos outros. “Isto se chama: aprender a amar”, garante Guaragna.

Texto: Melissa Maciel (8º semestre)

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