Solidariedade e resistência cultural no Festival Mirabal

Ocupação Mulheres Mirabal promove evento, no fim de semana de 7 a 9 de abril, para divulgar trabalho feito na casa, arrecadar fundos e atrair colaboradores

  • Por: Sofia Lungui (3° semestre) | Foto: Pedro Spieker (1º semestre) | 10/04/2017 | 0
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A banda “As Aventuras” embalou o evento

Arte, música e cultura. Foi com alegria e empenho que as mulheres que integram a Ocupação Mulheres Mirabal realizaram o Festival Mirabal, entre a sexta-feira (7/4) e o domingo (9/4) no Centro Histórico de Porto Alegre. Durante os três dias as militantes se dedicaram ao evento, contando com o apoio de diversos coletivos e artistas. “Os Replicantes”, “Encruzilhada do samba” e “Lila Borges” estavam entre os músicos que se somaram ao festival. O clima de descontração e positividade contrastava com o receio da possível reintegração de posse do imóvel situado na rua Duque de Caxias, que está prevista para esta semana. O festival serviu, também, como forma de arrecadar fundos e doações, além de agregar mais colaboradores à rede que apoia a ocupação.

Segundo Priscila Voigt, uma das coordenadoras do Movimento de Mulheres Olga Benário (RS), entidade que tomou a iniciativa da ocupação, as mulheres passam por momentos de incerteza. “Nosso caso foi julgado no dia 15 de março, quando os desembargadores votaram pela reintegração de posse em 30 dias. Mas a decisão não foi publicada, então ainda não sabemos como será”, contou. Em meio às tensões, as mulheres da Mirabal seguem com suas atividades.

Com oficinas, feira de economia solidária, brechó e espetáculos gratuitos, o festival reuniu mais de 400 pessoas durante os três dias. No domingo, o dia mais agitado, havia cerca de 200 participantes na casa. Os shows fizeram maior sucesso, sendo que grande parte dos artistas eram mulheres. A realização do evento coube ao Comitê de Apoio à Ocupação Mirabal, grupo de mulheres que organiza atividades, especialmente culturais, para divulgar a ocupação.

No domingo, as oficinas começaram a partir das 14 horas, e os shows às 16. A primeira banda que tocou foi “As Aventuras”, formada só por mulheres. “Nos últimos tempos, a gente vem acompanhando movimentos feministas e apoiando mais a causa. Acredito que a nossa principal contribuição é trazer visibilidade para o festival. Ficamos muito felizes em fazer parte disso”, afirmou Aline Araújo, tecladista do grupo.

Lisane Zorg, uma das integrantes do Comitê de Apoio, acredita que as atividades culturais são importantes porque a casa não tem somente o objetivo de acolhimento, é também uma ocupação. “A ideia era apresentar o espaço, dar visibilidade à causa, e também criar essa rede de apoio externa, atrair pessoas que queiram ajudar. Além disso, a ocupação é mais um espaço de resistência cultural na cidade”, explicou.

Além do Comitê de Apoio, as mulheres Mirabal contam com a chamada Rede de Acolhimento, grupo formado por profissionais de diferentes áreas, que auxiliam no acompanhamento das mulheres acolhidas sempre que necessário. Há profissionais da saúde, do Direito, da área jurídica e da assistência social, entre outras. A Ocupação Mulheres Mirabal fica na rua Duque de Caxias, 380. Os grupos de apoio estão abertos e aceitam voluntárias de qualquer área.