Startups em meios digitais são tema de Hangout promovido pelo Editorial J

Conversa com Sérgio Lüdtke inaugurou as comemorações de 5 anos do Laboratório de Jornalismo

  • Por: Aristoteles Junior (4º sem.) | Foto: Juliana Baratojo (5º sem.) | 14/06/2016 | 0

Empreendedorismo e jornalismo digital foi o tema do primeiro Hangout promovido pelo Editorial J, em comemoração do aniversário de cinco anos do laboratório. O professor Sérgio Lüdtke, que pesquisa startups, expôs por meio de dados estatísticos um panorama das condições que o jornalista enfrenta ao iniciar um negócio. “A maioria começou sem um planejamento. É como fazer um texto sem responder as perguntas fundamentais do lide”, comparou Lüdtke. A conversa está disponível na íntegra no canal do J no YouTube.

O levantamento foi feito quando Sérgio coordenava o programa Master em Jornalismo Digital, no Insitituto Internacional de Ciências Sociais (IICS). “Decidimos abrir bolsas: uma para quem quisesse começar a empreender, e outra pra quem tivesse uma ideia de empreendimento. Em uma semana tivemos 100 candidatos, de todo o Brasil”, explicou.

Sessenta e quatro empreendimentos foram selecionados e fazem parte da pesquisa apresentada por Lüdtke na Online News Association (ONA). “Aprendi bastante com essas entrevistas qualitativas e, depois, tentando entender os resultados”, afirmou. Sérgio considera que algumas perguntas deixaram de ser feitas e, por isso, pretende realizar uma nova apuração no fim de 2016, analisando pelo menos 100 novos empreendimentos.

“As barreiras para a criação de um empreendimento digital, hoje, são muito pequenas. Contudo, o tempo de permanência no mercado e a relevância que ele alcança são fatores mais complicados”, pondera Sérgio. Os dados mostram que, apesar da maioria dos empreendimentos ter menos de 36 meses, há trabalhos com até 20 anos de estrada.

As principais deficiências nas equipes estão na produção de conteúdo multimídia e na gestão. Ana Cecília Bisso Nunes, professora da área de inovação na Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, acredita que o profissional que está se formando hoje está mais preparado para enfrentar este tipo de situação. “É preciso pensar, também, no tempo de formação dos integrantes das startups analisadas. Talvez estas pessoas venham de uma educação que não tenha dado ênfase na produção de conteúdo multimidia”, ponderou.

O estudante de jornalismo Vitor Laitano compartilha deste ponto de vista. “Acredito que a nossa geração possui muito mais contato com essas ferramentas. Mesmo que não sejamos especialistas em todas as áreas, possuímos algum conhecimento útil delas”, classifica.

Quanto à defesa de causas, 63% dos empreendimentos afirmam se posicionar. Ou seja, temas como sustentabilidade,  direitos humanos, diversidade sexual, combate ao racismo e emponderamento feminino ganham espaço nos meios digitais. Ana Cecília enxerga relação entre esta segmentação e a origem de investimentos e recursos. “Os enfoques mais específicos reduzem o nicho de audiência. Então, possivelmente, a publicidade seja apenas um dos caminhos para estes projetos. Doações, reports, relatórios e matérias patrocinadas, por exemplo, são outros meios viáveis”, explica.

A pesquisa apresentada por Sérgio Lüdtke pode ser conferida no site InteratoresUP! O Editorial J continua promovendo conversas com especialistas em jornalismo, para entender o cenário de iniciativas jornalistas brasileiras fora de redações tradicionais. Para conferir as transmissões, acesse o nosso canal no YouTube.