A morte pode significar um recomeço

Consuelo Rejane Pereira da Silva nasceu há 49 anos e, por bom tempo, morou em Viamão, região metropolitana de Porto Alegre. Aos 18 anos tornou-se professora, profissão que exerceu por mais de 20 anos. Devido à delimitação de tarefas, por estar com a saúde debilitada para entrar em uma sala de aula, atuava como orientadora educacional em uma escola do Estado e bibliotecária em uma escola do município, no ano de 2003, quando conciliava ambos os empregos com sessões de hemodiálise – realizadas em três noites por semana.

Doação de órgãos depende exclusivamente de autorização da família
ONGs auxiliam pacientes à espera na fila de transplantes
Médico é o elo entre doador e transplantado

Sua vontade era de continuar trabalhando, mas seu corpo já demonstrava sinais de exaustão. Aos 6 anos de idade foi identificado em Consuelo um problema que impossibilitava seu rim funcionar corretamente. Quando tinha 29 anos, seu pai doou um rim sadio para ela, contudo, devido a um erro cirúrgico, o problema não foi solucionado.

Durante 8 anos e 2 meses Consuelo conseguiu manter uma vida relativamente tranquila, porém o problema se agravou e durante os 12 anos seguintes teve de manter uma rotina de idas ao hospital. No começo, conseguia ir sozinha, de ônibus, às sessões de hemodiálise, mas com o passar do tempo não tinha mais forças nem para descer os três degraus da entrada de seu prédio; dependia do seu marido, que a levava de carro e ficava esperando.

Consuelo não podia nem ao menos ajudar com os afazeres domésticos. Durante três meses teve febre constante e passou a maior parte do tempo na cama. Seu nome foi incluído na lista de urgência para receber o transplante, sendo operada 8 de julho deste ano – 15 dias após entrar na lista de prioridade.

“O órgão era 50% compatível, não era 100%, mas como eu estava numa lista de prioridade, eles resolveram apostar. Entraram com um tratamento para baixar a imunidade drasticamente, medicações bem fortes para não ter problema de rejeição, já que o rim era só 50% compatível, e deu tudo certo”, conta Consuelo. A cirurgia foi realizada no hospital Dom Vicente, que integra o complexo da Santa Casa – referência nacional no transplante de órgãos –, e foi feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Sobre o rim transplantado, Consuelo desconhece a identidade da pessoa de quem recebeu o órgão e afirma não ter curiosidade em saber quem é, pois desconhece a forma de sua morte e teme a reação de seus familiares. “Foram anjos que tomaram uma decisão que fez um bem para mim. Claro, vou ter uma gratidão eterna, vou sempre rezar pro universo, porque a gente não sabe”, diz ela.
De toda sua história, o que sobressai, segundo Consuelo, é a importância da doação de órgãos, para que outras pessoas não precisem passar pelo mesmo sofrimento: “O importante é a doação. Eu mesmo fiquei 12 anos numa lista, e só consegui transplantar por prioridade. Se houvesse mais doações, isso seria muito importante.”

Texto: Douglas Roehrs (4º semestre)
Foto: Eric Crossan (Flickr)

7 comentários

  • […] A morte pode significar um recomeço Doação de órgãos depende exclusivamente de autorização da família ONGs auxiliam pacientes à espera na fila de transplantes […]

  • […] A morte pode significar um recomeço Doação de órgãos depende exclusivamente de autorização da família Médico é o elo entre doador e transplantado […]

  • […] A morte pode significar um recomeço ONGs auxiliam pacientes à espera na fila de transplantes Médico é o elo entre doador e transplantado […]

  • CONSUELO
    21:12

    OI DOUGLAS, GOSTEI MUITO DE SUA MATÉRIA. CONSEGUISTE ABORDAR O ASSUNTO DE FORMA SUCINTA. SEM DEIXAR OS PONTOS PRINCIPAIS DE LADO. REALMENTE MUITO! BOM! ESTÁ DE PARABÉNS.
    ABRAÇOS E SUCESSO,
    CONSUELO

    • Obrigado, Consuelo. Adorei conhecer você e sua história. Abraços!

  • Renato
    8:33

    Quero que meu cometário chegue as mão de Consuelo.
    Consuelo, já sabia parte desta estória pelo teu marido, contudo da forma com me foi dita não me parecia tão diferente de tantas outras. És não somente uma vencedora , é acima de tudo uma merecedora dos milagres sutis feitos pelo nosso poder superior (Deus) . Isto só acontece a poucos, principalmente aqueles que são humildes pela sua natureza e tem Fé absoluta na existência de um ser superior.
    Mesmo não te conhecendo pessoalmente sinto a maravilhosa energia que tens, continue assim amiga, nada te faltará.

  • Nadir
    12:38

    Muito boa a matéria e também um incentivo para que mais pessoas sejam doadores de órgãos.

Deixe um comentário