A vida dos trabalhadores invisíveis

Catadores de lixo são personagens das fotografias de Jorge Aguiar em exposição no Solar dos Câmara

  • Por: Jonas Melgaré (2º semestre) | Foto: Felippe Morais (3º semestre) | 11/05/2017 | 0
Exposição Solar da Câmara - Felippe Morais
Exposição ‘’Fio da navalha, trabalhadores”, do fotógrafo Jorge Aguiar


A vida real e cruel do catadores de lixo é revelada na exposição ‘’Fio da navalha, trabalhadores”, do fotógrafo Jorge Aguiar em parceria com o curador Zezé Carneiro. Esquecidos e desprezados pela sociedade, os catadores tiram do lixo o seu sustento. A exposição de Jorge Aguiar apresenta 17 fotografias que mostram o ambiente do lixão e a vida dos catadores. Além das fotografias, 19 crachás com a imagem de trabalhadores também fazem parte da exposição que está no Solar dos Câmara (Assembléia Legislativa) até 31 de maio.

De 70 pessoas, apenas 26 quiseram aparecer nos crachás. A ideia dos crachás serve para exibir o rosto dos catadores, pois a maior parte do tempo são pessoas invisíveis para a sociedade. “O objetivo deste trabalho é a conscientização da questão do meio ambiente e da valorização humana de quem faz essa atividade, como catador, gari, um auxiliar de perícia”, explicou o profissional que realizou a documentação entre 1996 até 2003.

Jorge Aguiar tem orgulho de dizer que se modifica a cada trabalho documental feito e diz que passa a ter uma outra visão sobre as coisas. Entre suas diversas experiências de trabalho, ele relembra a técnica de pinhol que ensinou aos membros de uma comunidade em Alvorada. A técnica consiste em captar imagem com a utilização de uma lata.

Graça aos projetos desenvolvidos, Aguiar foi convidado para apresentar “Fio da navalha”, em 2005, na periferia de Paris. Ele lembra que, devido à greve da empresa de Correios, não conseguiu enviar suas obras antes, e levou um dvd com suas fotos. ‘’Eles imprimiram em acrílico 30 fotos e fizeram um teaser. Foi algo impactante. A partir dali, minha vida deu uma outra guinada“, relembra.

Nessa mesma época, o fotógrafo passou 40 dias em Paris, quando desenvolveu 15 oficinas de pinhol. Segundo o curador Zezé Carneiro,  ‘’esse trabalho não termina, ele continua’’. As fotografias de Jorge Aguiar são extremamente ligada à relação humana. Ele tem a intenção de mostrar o sentimento das pessoas e a importância de seu trabalho.

O fotógrafo conta que abordagem para o trabalho com os catadores foi difícil. Durante três meses, Aguiar ia duas vezes por semana, e conversava com os catadores e explicava o objetivo de documentar o dia a dia deles. ‘’Convencê-los de que era um trabalho de arte foi difícil”. Aos poucos a convivência entre eles foi tornando o trabalho possível. Aguiar diz que passou a ter outra visão com essa experiência, tanto que deixou a fotojornalismo e abraçou a fotodocumental.’’A ideia dos crachás vieram de Zezé Carneiro, para mostrar que, ‘’além do lixo, há  gente, há vida’’.