Adeus ao point dos cartunistas

Uma despedida de parar o trânsito. Isso aconteceu na noite de terça-feira, 19 de junho, no Centro Histórico de Porto Alegre, mais precisamente na rua Duque de Caxias que teve trânsito interrompido nas proximidades do viaduto Otavio Rocha. Tudo por causa do anúncio de fechamento do Tutti Giorni, bar que reúne cartunistas nas noites de terça-feira.

Depois de diversos boatos de que iria fechar, o Tutti Giorni, onde costumam se concentrar não só cartunistas, mas também jornalistas, publicitários, designers, artistas e apreciadores da área, teve sua (provável) última terça-feira aberta ao público. O anúncio foi divulgado em diversos sites e jornais, e a causa do fechamento se deve à falta de pagamento de algumas contas do estabelecimento comercial. Como forma de prestigiar a casa, ou até mesmo por curiosidade, centenas de pessoas foram ao local, para beber uma cerveja tão gelada quanto a noite, conversar, e fazer uma festa a céu aberto.

Por volta das 20h30min, as escadarias do viaduto da Borges de Medeiros, onde o bar ainda está instalado, começaram a lotar, de forma que as pessoas passaram a ocupar também a rua Duque de Caxias. Os poucos bares do entorno se aproveitaram do movimento por tabela, um minimercado das proximidades, por exemplo, ampliou seu horário de funcionamento para vender bebidas, cigarros e outras miudezas.

As calçadas das proximidades do Tutti Giorno ficaram tão lotadas que a Brigada Militar optou por bloquear o fluxo de carros na Duque, a partir do cruzamento com a Praça da Matriz, para a felicidade de alguns, que proferiam no meio da rua já interditada: “A Brigada finalmente colabora com a cultura de Porto Alegre”.

“Estou triste porque o lugar vai fechar. Eu costumo vir aqui quase todas as terças depois do expediente”, dizia a fotógrafa Tarsila Pereira. O bar continua funcionando enquanto não for interditado, e segue servindo o famoso carreteiro de R$ 1,99 durante o dia. O Tutti Giorni pretende se mudar para a rua dos Andradas, conforme revelou o proprietário Ernani Marchioretto.

Texto: Laís Flores (8º semestre)

Imagem: Ricardo Stricher

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