Após inauguração do aeromóvel no Salgado Filho, começam discussões sobre novos projetos para o veículo no Estado

Depois da implantação do aeromóvel na ligação entre o Trensurb e o aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, novos projetos passaram a ser estudados visando à construção deste meio de transporte em outras partes da Capital e também em diferentes cidades do Estado. Entre os planos de implantação do aeromóvel que estão sendo avaliados pelos governos municipais aparecem o de Canoas, que prevê trajeto de 12 quilômetros para ligar os bairros Guajuviras e Mathias Velhos, o do bairro Humaitá, em Porto Alegre, onde está a Arena do Grêmio e uma possível linha para a zona sul da Capital.

Mas qual seria o papel do aeromóvel para a mobilidade urbana dos grandes municípios? Segundo o especialista em transporte, João Fortini Albano, ele funciona como meio complementar e não pode ser apontado como resposta para os problemas de mobilidade nas regiões metropolitanas. Por essa razão, as iniciativas que estão surgindo devem ser relativizadas.

“Não vejo como solução. Possui capacidade de conduzir passageiros muito aquém das necessidades das regiões metropolitanas”, opina Albano. Para ele, metrô e ônibus são transportes insuperáveis na condução de público de massa.

Por outro lado, o especialista em transporte destaca a função de mobilidade complementar que o aeromóvel desempenha. “O aeromóvel não substitui outros meios de transporte, mas vem acrescentar para determinados tipos de deslocamentos. Na estação aeroporto, entre 5% e 10% dos usuários de trem, apenas, vão para o Salgado Filho. Essas pessoas levavam muito tempo para se deslocar e ainda corriam risco de segurança. O aeromóvel vem resolver esse problema. Para esse tipo de exercício ele se encaixa perfeitamente”, defende.

Entre os pontos positivos deste transporte, Albano destaca o fato de ele não intervir no tráfico urbano e não causar danos ao meio ambiente por operar com o motor elétrico. No entanto, ele também vê fatores negativos no aeromóvel como o valor de implantação considerado por ele alto. O projeto teve investimento de R$ 37,8 milhões em um trajeto de 814 metros de extensão. “Uma rodovia custa R$ 3 milhões para cada metro construído e o aeromóvel fica em torno de R$ 40 milhões por metro”, compara.

Em dois meses, cerca de 55 mil pessoas foram transportadas pelo aeromóvel

Passados mais de dois meses de sua inauguração, o aeromóvel de Porto Alegre já realizou até o dia 14 de outubro 2.930 viagens, tendo transportado 54.762 pessoas, média de 1.340 passageiros por dia. De acordo com o gestor do atual contrato do Aeromóvel, Sidemar Francisco da Silva, o desempenho tem sido positivo.

“A gente tem conseguido manter o serviço regular das 10h às 16h, que é o período de operação assistida, estabelecido em três meses a partir da inauguração. No dia 10 de novembro estamos reavaliando esse período para ver se já podemos realizar uma operação plena”, afirma Silva.

Para ele, o transporte deve se consolidar como alternativa para melhorar a mobilidade urbana nas grandes cidades. “Para consolidar o aeromóvel é preciso inseri-lo em um trecho longo, em uma via dupla e com uma demanda mais pesada. Essa linha é piloto. Se a gente não fizesse esse tipo de implantação extremamente útil para acessibilidade do aeroporto não surgiria esses novos projetos que estão sendo estudados”, diz o gestor.

Usuários aprovam transporte

Entre os usuários que embarcam no aeromóvel é comum o registro de fotos e vídeos durante a viagem, demonstrando que o transporte é ainda novidade para muitos. As irmãs Enira Adolfo e Leny Adolfo estão entre as pessoas que fizeram questão de gravar em seus celulares o seu primeiro passeio no veículo.

“Achei bem pensado. Devia ter em tudo que é lugar”, diz Enira. As irmãs moram em Curitiba e afirma que nesta cidade sofrem dificuldades em se deslocar do aeroporto para o metrô. A única queixa delas em relação ao aeromóvel é horário reduzido em que ele opera. Nesta fase inicial, o transporte funciona das 10h às 16h, deixando descobertos os horários de pico e os finais de semana.

O morador de Rio Grande, Eduardo Taveira, também aprovou o veículo em sua estreia como passageiro. “Desafoga o trânsito e ainda preserva o meio ambiente”, destaca. Da mesma forma, um grupo de passageiros de Novo Hamburgo exaltou o projeto, porém, alertou para a falta de segurança e organização na entrada e saída dos veículos.

Texto: Nícolas Pasinato (7º semestre)
Foto: Alina Oliveira de Souza (8º semestre)

1 comentário

  • Vida longa para a ideia do AEROMOVEL. O Brasil não pode ter medo do novo.

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