As cores da arte

Transformar cores, formas e rabiscos em algo esteticamente agradável ou, por que não dizer, formidável. Colocar os sentimentos e as emoções em expressões concretas para criar um meio de comunicação com o mundo externo; ou até mesmo o interno. Estas são apenas algumas das características e desafios, que permeiam a vida dos artistas plásticos. Hoje, 8 de maio, é o dia que se comemora a existência e importância destes seres sensíveis que lidam diretamente com o íntimo humano.

O artista plástico pode se dedicar em tempo integral ou somente nas horas vagas.
Eleonora Fabre se inseriu no mundo das artes nos anos 80. Karem Moraes, por sua vez, iniciou suas aulas de pintura no final dos anos 90. Ambas seguem exercendo sua paixão, mas de formas diferentes. A primeira, vive e respira as artes plásticas diariamente; a outra, vai para a frente da tela nas horas vagas, quando quer relaxar.

Além da formação em Artes Plásticas, Eleonora também graduou-se em Arquitetura e Urbanismo. Exerceu a profissão de arquiteta por alguns anos mas, a partir de 1990, se dedicou basicamente à arte. Atualmente, ela é a diretora do Atelier Livre, espaço que pertence à Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, onde também ministra aulas de escultura e objetos.

De acordo com Eleonora, durante a carreira o indivíduo precisa arranjar formas criativas para se sustentar. O “circuito das artes” – as bienais, os salões e as galerias – é citado por ela como parte importante do processo de legitimação do artista. “No decorrer da trajetória, o artista tem que circular por este circuito; depois que tu estás nele, as coisas vão aparecendo”, afirma.

Com o passar dos anos, ela percebe que, atualmente, o trabalho tem mais possibilidades de ser exposto em diferentes lugares e conhecido por mais pessoas. “Hoje, independente de onde a pessoa mora, ele pode ter grande visibilidade, a área está mais democrática”, examina. Mas também alerta que o artista não pode mais ficar apenas trabalhando no seu atelier, ele precisa ser também um gestor da sua própria profissão.

Hoje, aos seus 61 anos, Eleonora conta com um extenso currículo, onde constam 17 exposições individuais e mais de 30 coletivas. Além de quatro execuções de monumentos, participação em livros e vários trabalhos com curadoria. Com grande experiência na área, ela destaca também as dificuldades de ser um vendedor de sonhos: “nós, artistas, trabalhamos com coisas intangíveis, são poesias visuais e impalpáveis, que muitas pessoas não estão abertas a apreciar”.

A pintura pode promover uma fuga tanto para o artista quanto para o observador.
Karem Moraes tem 50 anos, dos quais 16 estão bastante ligados à arte, apesar de não ser essa a sua profissão. Após se formar em Educação Física, morou por vários lugares do Brasil trabalhando em áreas distintas. Segundo ela, foi justamente esse estilo um tanto nômade que não permitiu que ela tivesse, anteriormente, um contato mais profundo com as artes. “Sempre tive ligação com tudo isso, pois gostava muito de desenhar, mas acho que só tive a oportunidade de fazer um curso e me dedicar mais quando fixei uma residência”, conta.

A residência fixa citada por ela foi em Florianópolis (SC), onde foi proprietária de uma pizzaria e, nas horas vagas, se dedicava ao desenho e à pintura. A paixão por este ofício foi crescendo tanto que, logo após as aulas iniciais de pintura, Karem já construiu um atelier no quintal da casa. “Era lá que eu relaxava e fugia um pouco do mundo”, confessa.

Quando já possuía um número considerável de quadros, a nova-artista começou a expor na própria pizzaria. Os clientes gostaram tanto que, ali, foram vendidas várias telas. Apesar do sucesso, Karem admite: “nunca tive a intenção de me sustentar através da arte, ir para o lado profissional, sempre gostei disso apenas como um hobby”.

Há pouco mais de um ano, Karem está de volta a sua cidade natal, Porto Alegre, e segue dividindo o tempo entre as duas paixões: culinária e artes plásticas. “O ato de fazer a comida também pode ser considerada uma arte, então posso dizer que estou bem servida de atividades.”

Arte é uma palavra que vem do latim ars e significa técnica ou habilidade. Segundo a Wikipédia, a arte geralmente é entendida como a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada a partir da percepção, das emoções e das ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias da consciência e dando um significado único e diferente para cada obra.

Estudando arte

O Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul é um ponto de referência, não apenas no estado mas também em todo o país, para os interessados em aprofundar os estudos na área artística. Fundado em 1908, hoje o instituto oferece Bacharelado e Licenciatura em Artes Visuais, além de programas de pós-graduação. Apesar de um curso antigo e conceituado, a procura ainda é pequena: no vestibular de 2013, a densidade foi de 2,34, para o bacharelado, e apenas 1,25 para licenciatura.

Gabriela Paludo, 19 anos, está cursando o terceiro semestre e escolheu fazer o curso de licenciatura para ter ainda mais um campo de atuação no futuro. Seu interesse principal é na parte das tecnologias, de animação em 3D e 2D, edição de vídeo e também o desenho a lápis e aquarela. Apesar de ter essas áreas em foco, ela enfatiza que também quer melhorar a pintura e aprender pelo menos o básico de cada arte visual.

Quando formada, Gabriela pretende seguir profissionalmente com as artes, tanto na práticas dos próprios trabalhos, como também na docência. “A arte de ensinar abrange o conhecimento sociológico, que para mim é também muito intrigante”, comenta. Também tem planos de continuar os estudos em uma pós-graduação: “quero sempre ir adiante aperfeiçoando as áreas que escolhi fazer da minha arte”.

Estudante Manoela Furtado desenhando
Estudante Manoela Furtado acredita que existe pouco investimento em arte no Brasil.
Já na etapa final do curso, Manoela Furtado conclui a Licenciatura no fim deste ano e possui planos mais concretos: “pretendo fazer meu mestrado em Berlim (Alemanha) e inclusive já sei como é o processo seletivo, estou fazendo meu trabalho de conclusão baseado na pesquisa que tem a ver com o que eu vou fazer lá”. Seu campo de atuação principal é o desenho, no qual pretende se especializar. Hoje, aos 23 anos, a estudante já participou de 7 exposições e trabalha como mediadora na Fundação Iberê Camargo.

Manoela conta também que seu desejo sempre foi, desde o início do curso, ir para o exterior após concluir a graduação. Os motivos: mercado de trabalho e valorização do artista. “Lá fora existem mais oportunidades, além de ter um real investimento na área e as possibilidades de ganhar dinheiro com a arte são muito maiores”, explica.

Texto e Fotos: Lívia Auler (7º semestre)

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