Atleta paraolímpico vive maratona de dificuldades

Carlos Roberto Oliveira, mais conhecido como Carlão, é deficiente físico e há mais de 20 anos pratica atletismo. Na versão paraolímpica desse esporte, as provas podem ser disputadas tanto por homens quanto mulheres, e são permitidos recursos como próteses, guias para os atletas cegos, ou cadeiras de rodas. Velocidade e força são fundamentais para um bom desempenho nessa corrida que varia de cem metros a cinco quilômetros.

  • Jogador de “futebol cego” é esperança de ouro para o Brasil
  • Natural de Cruz Alta, Carlão teve poliomielite antes dos dois anos de idade, restando sequela nas pernas que comprometeram 100% de seu membro inferior direito e 35% do membro inferior esquerdo, além do seu equilíbrio. “Ando com muletas, mas prefiro, pela comodidade, a cadeira de rodas. Em Porto Alegre, porém, como a cidade não está totalmente preparada para cadeirantes, opto pela muleta”, relata.

    Carlos Roberto Oliveira, o Carlão (Divulgação / Tadeu Vilani)
    "Sou muito mais respeitado fora do meu país do que na minha cidade", diz Carlão (Divulgação / Tadeu Vilani)

    Carlão treina quase todos os dias, com exceção de segunda-feira, seu dia de folga. A rotina de treinamentos é de uma hora e meia diariamente. Com essa dedicação de campeão e um talento para o esporte, ele participa de inúmeros torneios esportivos, tendo conquistado mais de 35 maratonas e 160 provas curtas no decorrer de sua carreira. “No mais recente, fiquei com ouro nos 1.500 metros e prata nos 5.000 metros nos Jogos Regionais – Circuito Caixa de Atletismo”, conta. Antes disso, no início do ano, o atleta esteve um mês nos Estados Unidos, onde obteve a segunda colocação na Maratona de Miami e o primeiro lugar na Maratona de Fort Lauderdale.

    Mesmo contando com o patrocínio da TNT – Energy Drink, Carlão não vive do esporte e trabalha na Editoria de Fotografia do jornal Zero Hora. A falta de incentivo do poder público na compra de equipamentos e de investimento na formação de novos atletas para o meio paraolímpico são as grandes dificuldades que o deficiente encontra hoje para praticar algum esporte, na opinião de Carlão.

    Carlão enumera uma série de constrangimentos comuns enfrentados pelos cadeirantes, além da falta de respeito aos seus direitos. Entre estes, cita as vagas para deficientes existentes em estacionamentos de shoppings, supermercados e outros espaços públicos frequentemente ocupados por quem não deveria estacionar ali. Outro caso envolve preconceito que ele mesmo sofreu. “Quando buscava um patrocínio, ouvi de um executivo, que trabalha com planos de saúde, que ele não poderia me patrocinar, por sua empresa vender saúde e não querer combinar isso à vinculação da imagem de uma pessoa aleijada.” Triste, acrescenta que “teria inúmeros outros casos para contar.”

    Apesar da carreira vitoriosa, Carlão não recebe o reconhecimento devido, o que é comum no universo paraolímpico. “Pelos meus resultados, recebo inúmeros convites das mais diversas maratonas do mundo. Sou muito mais respeitado fora do meu país do que na minha cidade”, lamenta.

    Na próxima semana, não perca a entrevista com o atleta paraolímpico Alex Douglas.

    Texto: Karine Flores (1º semestre)
    Fotos: Divulgação / Tadeu Vilani

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