Audiência pública discute três projetos de extensão da avenida Ipiranga até Viamão

  • Por: Tiago Bianchi (8º semestre) | 10/06/2015 | 0

Apontada como a melhor alternativa a curto ou médio prazo para evitar o congestionamento do trânsito na Zona Leste, o prolongamento da avenida Ipiranga até Viamão foi tema de uma audiência pública na noite do dia 9 de junho. Autoridades e representantes comunitários se reuniram no Salão Paroquial da Igreja Santa Clara, na Lomba do Pinheiro, para discutir os projetos de desafogamento do trecho da avenida Bento Gonçalves compreendido entre a Lomba do Sabão, em Viamão, passando pela entrada da Lomba do Pinheiro até a esquina com a avenida Antônio de Carvalho. O trajeto, por onde passam mais de 80 mil veículos por dia, é cenário de engarrafamentos diários nos dois sentidos, fazendo com que motoristas e passageiros demorem mais de uma hora para fazer o trajeto em horários de pico.

Coordenada pelo deputado estadual Adão Villaverde, presidente da Comissão de Mobilidade Urbana Sustentável (CMUS), a sessão durou aproximadamente uma hora e meia. Foram apresentadas as propostas reivindicadas pelos moradores da Zona Leste de Porto Alegre e de Viamão. Foram também mencionados outros temas durante a reunião, especialmente a necessidade da melhoria do transporte público e a duplicação da estrada do Caminho do Meio e da avenida Protásio Alves, a implantação do metrô até a Zona Leste de Porto Alegre e Viamão e a possibilidade de implantação do aeromóvel para a mesma região.

Três projetos diferentes

A primeira proposta foi apresentada por Francisco Geovani, representante do Conselho Popular da Lomba do Pinheiro. Consistia na construção de uma via aérea a partir da Ipiranga sobre parte dos campi de agronomia e veterinária da UFRGS, com uma saída direta para a Lomba do Pinheiro e outras mais próximas da divisa com a outra cidade. A ideia é mais nova em relação às outras proposições e não afetaria os planos de expansão dos campi universitários, mas apresenta um maior custo de construção.

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Projeto de extensão da av. Ipiranga até Viamão
Os principais pontos da ligação entre a capital gaúcha e Viamão (Arte: Jessé Sangalli)

Após Geovani, foi a vez de Jessé Sangalli, presidente da Associação de Amigos e Moradores do Jardim Universitário (AAMJU) apresentar a alternativa de extensão da avenida Ipiranga por dentro do Campus do Vale e do Anel Viário da universidade,­ o projeto preferido entre os moradores de Viamão. Sua página no facebook tem mais de 14 mil curtidas e foi uma das principais incentivadoras da retomada da pauta.

O projeto consiste em asfaltar e prolongar um trecho já existente da Ipiranga, que vai até o Beco dos Marianos. Ali, seria necessária a construção de uma pequena ponte sobre o arroio Dilúvio para, então, conectar­ a via a outro trecho já asfaltado existente dentro do campus da faculdade de agronomia, que depois segue um caminho descampado pelo território da Veterinária. Ao final deste percurso existem duas opções: conectar a nova rodovia com a RS-­040, na entrada do Campus do Vale, ou seguir até o Anel Viário da Universidade, para entrar no bairro Jardim Universitário, em Viamão. Foi incluído mais tarde nesta proposta um acesso à Lomba do Pinheiro.

O atual chefe de gabinete da governância metropolitana (Metroplan), Pablo Melo, afirma que o projeto defendido por Sangalli é o mais viável: “Essa alternativa, de fato, seria a de menor impacto ambiental e menos onerosa. Porém a UFRGS não admite essa possibilidade.” A terceira alternativa, sugerida outrora pela própria universidade, propõe a construção de uma via por trás do Morro Santana até a entrada do Jardim Universitário, mas Melo contrapõe que esse percurso teria mais custos e impacto ambiental maior, embora não interfira nas rotinas dos campi. Esta proposta foi abordada durante a reunião sem maior aprofundamento, uma vez que a UFRGS não enviou nenhum representante ao encontro.

Várias críticas foram dirigidas pelos participantes à ausência da maior afetada pelo projeto. Por meio de nota à imprensa, a UFRGS se limitou a informar que “não entende que a divisão do campus seja uma solução para o problema da região e se dispõe a discutir outras alternativas”. O silêncio neste e em outros debates incomodou Sangalli: “Isso é um desrespeito da universidade conosco. Ela poderia ter vindo aqui, ouvido nossos argumentos e se posicionado contrária ao prolongamento.”

As Prefeituras da capital, representada pelo secretário da EPTC, Jorge Ribeiro, e de Viamão, representada pelo Engenheiro Nilton Magalhães, disseram aguardar a definição de um projeto para, só então, iniciar a captação de recursos.

Ao final do debate, Villaverde propôs a organização de um encontro com a UFRGS e de uma nova audiência pública com a Comissão de Urbanização, Transporte e Habitação (CUTHAB) de Porto Alegre, presidida pelo vereador Carlos Comassetto, para incluira pauta nos planos de mobilidade urbana da cidade. “Posso adiantar para vocês que a nossa comissão (CMUS), que encerra os trabalhos no mês de agosto, e nos encaminhamentos finais a serem entregues ao governo do Estado e ao Ministério das Cidades, estará o prolongamento da Avenida Ipiranga”, completou Villaverde. A mesa contou ainda com a presença do deputado estadual Aldacir Oliboni, de Valério Lopes, coordenador Federação Gaúcha de das Associações de Moradores, dos vereadores Dédo Machado e Eliseu Ridi, de Viamão, e de outros políticos da região.

Histórico da proposta

A pauta é discutida há pelo menos quatro anos na Assembleia Legislativa do Estado. Inicialmente, propunha apenas o prolongamento do trecho até uma abertura na RS-­040, mas recentemente outras propostas ganharam força, após a criação da página Eu quero o prolongamento da avenida Ipiranga até Viamão por Jessé Sangalli, no ano passado. O movimento conseguiu puxar a proposta para a divisa com Viamão. Ele afirma que tomou conhecimento da causa em 2013, quando foi chamado para outra audiência sobre o assunto. Após avaliar a opinião dos moradores do Jardim Universitário, ele decidiu criar a página, que começou a ficar conhecida na cidade quando publicou vídeos explicativos de como seriam as obras.

Segundo uma nota da Metroplan, representantes da universidade participaram de reuniões técnicas anteriores com a Secretaria Municipal do Meio ­Ambiente de Porto Alegre, visto que o território envolvido pertence ao campus universitário está situado em áreas de preservação. O órgão realizou estudos técnicos sobre o assunto, mas ainda não emitiu nenhum parecer definitivo. “Essa decisão passa entre os entes federativos, União e universidade. A primeira coisa que precisa ocorrer é um diálogo, um consentimento das partes para discutir o projeto, conosco trabalhando na mediação para futuras soluções”, afirma Pablo Mello, chefe de gabinete da governância metropolitana.

A medida não desagrada apenas à universidade. Uma página contrária ao movimento, Eu não quero o prolongamento da Ipiranga, faz críticas ao inevitável impacto ambiental do projeto, argumentando as obras se destinariam a um sistema ultrapassado de trânsito. Apesar disso, nenhum envolvido com a página compareceu à reunião.