Acidentes crescem junto com aviação agrícola

A aviação agrícola brasileira cresceu 8%, só no ano passado, de acordo com o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag). O bom momento do setor tem atraído muitos pilotos e empresas. Junto com esse índice cresce também a preocupação com acidentes de trabalho. Até 30 de setembro, o Centro de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) havia registrado 125 acidentes aéreos em 2011. No ano passado, os problemas com aeronaves agrícolas representaram 18,2% do total de incidentes na aviação brasileira. O número mostra aumento de 10% nos acidentes do setor desde 2001, quando os dados começaram a ser recolhidos.

Até o início dos anos 2000, profissionais conhecidos como bandeirinhas auxiliavam pilotos agrícolas na aplicação de inseticidas e agrotóxicos. Como a denominação deixa claro, os bandeirinhas sinalizavam para os pilotos os locais que deveriam receber os produtos. A profissão representava risco de contaminação, já que havia exposição direta a químicos extremamente tóxicos. Hoje, a aviação agrícola deixou de lado esses profissionais e passou a usar o GPS (Sistema de Posicionamento Global, na sigla em inglês) para localizar as áreas. Segundo o diretor e vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Cláudio Coutinho Rodrigues, depois que os bandeirinhas deixaram de atuar não se tem notícia de contaminação dos profissionais que lidam diretamente com os químicos.

Na prática, contudo, a situação exige alguns cuidados. O piloto agrícola Aluísio Sabedot, há dois anos no setor, destaca a importância do uso de máscaras, capacetes e macacão de segurança. Para evitar problemas de saúde decorrentes da contaminação, a empresa onde ele trabalha realiza exames de sangue em seus funcionários a cada início e final de safra, para garantir que não houve alterações no organismo deles.

O gerente da Agrofly, empresa que realiza aplicações de químicos no norte do Estado, Claudio Bee, diz que há toda uma preparação para que os pilotos e aeronaves saiam seguros do hangar. Com três aviões e quatro pilotos, a empresa atinge uma média de aplicação de 60 hectares (cerca de 42 campos de futebol) por hora. Para assegurar o conforto dos que voam, eles contam com um trabalho terceirizado de gestão de segurança. São realizadas palestras, além de visitas de especialistas em segurança agrícola para avaliar e melhorar a situação dos voos. “É importante que o gestor de segurança que realiza as visitas não conviva diariamente aqui. É bom ter uma visão de alguém de fora, preparado para diagnosticar problemas”, ressalta ele.

Mesmo com o controle constante, se registram problemas. Bee conta que um de seus pilotos da Agrofly não conseguiu completar a decolagem por excesso de carga e perdeu o controle do avião. As consequências não foram graves, mas o veículo precisou de muitos reparos até poder voar novamente.

A perda de controle e falha do motor são as causas principais dos incidentes, de acordo com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA). Em primeiro lugar no ranking aparece a colisão em voo, responsável por 38,3% dos eventos. O CENIPA também elaborou uma lista dos fatores que mais contribuem para os acidentes. Entre os principais, se destacam problemas com a supervisão (57,1% dos casos), com o julgamento do piloto (54,9%) e com o planejamento (49,5%).

Sabedot lembra que durante sua formação, que durou cerca de oito anos, ele foi bem orientado com relação a possíveis acidentes. Palestras e discussões faziam parte das aulas. “Eles mostravam inclusive imagens fortes de acidentes para nos dar a dimensão do perigo. Houve vários colegas que desistiram da aviação agrícola depois de ver essas fotos”, conta ele. Mas a valorização da profissão acaba levando os pretensos aviadores a irem até o fim de seus cursos. O bom salário oferecido aos pilotos, que compensa os altos custos investidos na formação (uma média de R$ 300,00 por hora de voo), também é determinante na hora da opção profissional. Na empresa onde Bee é gerente, por exemplo, os pilotos recebem, além do salário base, uma comissão de 20% sobre o faturamento conseguido a partir das áreas em que aplicam os químicos.

Contudo, na hora de voar é preciso lembrar que, apesar da boa remuneração, a profissão oferece riscos. Sabedot admite que a preocupação com possíveis acidentes é constante no seu dia-a-dia como piloto. Para completar os mecanismos que devem ser realizados dentro das empresas, o Ministério da Agricultura cobra um relatório mensal de operações, ajudando a identificar problemas ou irregularidades. Além disso, controles para evitar a contaminação são realizados pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

Texto: Gabriela Sitta. Fotos: Divulgação/Agrofly.

1 comentário

  • Fabiano
    1:48

    Boa Noite!

    Sabe me dizer quando foi a data do acidente com o avião agrícola da foto deste artigo?

    E se possível você tem o Relatório do acidente.

    Obrigado!

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