Barcos adaptados a deficientes físicos invadem as águas do Guaíba

“Um esporte para toda a vida”. Essa frase pode referir-se a diversas atividades físicas, mas nenhuma se encaixa tão bem nesse sentido quanto a vela, também conhecida como iatismo.

O educador físico Anderson Paixão sempre foi apaixonado por esportes náuticos. Mas desde que se tornou professor de iatismo, viu que havia uma contradição naquela frase. Na opinião de Paixão, apesar de a vela ser aberta a faixas etárias que variam de oito a 80 anos, o esporte se tornava fechado para aqueles que sofrem com algum tipo de deficiência física.

Para resolver este problema, Anderson Paixão ajudou a trazer ao Iate Clube Guaíba (ICG), clube náutico em Porto Alegre, o Projeto de Vela Paraolímpica. A partir daí, foi criada a Escola de Vela Adaptada, também sediada no ICG. Como forma de apoio, o Governo financiou a aquisição de dois barcos classe 2.4mr, que possui uma cabine especial onde o velejador não corre riscos de virar com ventos fortes e é construído para apenas um navegador utilizá-lo. Essas embarcações foram importadas da Argentina pelo valor de 40 mil reais cada. Além disso, o ICG oferece um barco classe Ranger, do tipo Oceano, para treinamentos em grupo. Essa modalidade é perfeita para aguçar o espírito de equipe, pois deve ser ocupada por mínimo três indivíduos. Para faciliar a velejada, os equipamentos são colocados sempre próximos aos atletas, de forma que eles não precisem se locomover durante a navegação.

anderson paixão, iatismo, guaíba, treinador foto: Matheus Lamb Wink
Anderson Paixão é um dos idealizadores do Projeto de Vela Paraolímpica
A meta do técnico Paixão é colocar um de seus atletas na Paraolimpíada de 2016, no Rio de Janeiro (RJ). Para isso, vem preparando a equipe para o Campeonato Brasileiro da classe 2.4mr, que será realizado na capital gaúcha em novembro de 2013. O resultado do evento somará pontos para a seletiva dos representantes brasileiros nos Jogos Paraolímpicos 2016.

Os treinamentos de Vela Adaptada acontecem de terça a sexta-feira, e são grátis a população. Para fazer parte da equipe, o atleta deve entrar em contato com a secretaria esportiva do ICG, através do telefone (51) 3268.0397 ou do e-mail esportiva@iateclubeguaiba.com.br.

2 horas de “viagem”

120 minutos é o tempo médio que o atleta João de Carvalho, 39 anos, leva até chegar ao Iate Clube Guaíba, onde faz parte da equipe de Vela Adaptada. Há cerca de um mês, quando Carvalho iniciou os treinamentos com o professor Anderson Paixão, não imaginava que seria tão exaustivo e, ao mesmo tempo, tão prazeroso, sair de Alvorada até a zona sul de Porto Alegre quatro vezes por semana. O ponto negativo – a longa viagem – logo se torna uma experiência agradável a partir do momento em que Carvalho desce do ônibus no centro da cidade e passa a contornar a orla do Guaíba até o seu destino final andando de bicicleta. Mesmo com a paralisia nas duas pernas, o atleta utiliza o próprio peso do corpo para empurrar os pedais da bicicleta alugada através do projeto Bike POA, promovido pela prefeitura da capital. E o grande prêmio é entregue a Carvalho assim que ele chega ao ICG, quando monta o barco e sai para velejar pelas águas do Guaíba.

Sonho de ir às Paraolimíadas 2016


Esportista por natureza, Vladimir Garcez, 39 anos, espera representar o Brasil nas próximas Paraolimíadas. O evento, que será realizado no Rio de Janeiro (RJ), em 2016, é o grande objetivo do atleta e de toda a equipe de Vela Adaptada do ICG, comandada pelo treinador Anderson Paixão. Força de vontade não irá faltar a Garcez, que em 1996 teve de abandonar o futebol profissional, onde jogava no Inter de Santa Maria, devido ao acidente que o deixou aleijado na perna direita. O atleta precisou de apenas um mês para levantar a cabeça e retomar os exercícios físicos através de um novo esporte. Durante 13 anos, Garcez fez parte da equipe de atletismo paralímpico. A idade elevada e as constantes lesões o levaram a optar por um novo esporte em 2009. Excelente para a vela adaptada, que ganhou para si um atleta esforçado e exemplo a ser seguido por todos os iniciantes no esporte, de um modo geral.

Texto e fotos: Matheus Wink (6º semestre)

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