Cachorro do Elio sofre com perda de clientes

Síntese desse novo momento, o Cachorro do Elio, anteriormente abarrotado de pessoas que não viam problema em beber em copos plásticos num ambiente simples, ou até mesmo na rua, desde que a cerveja fosse barata, estava fechado no dia 23 de junho, sábado. Ou melhor, lá dentro, era realizado um jantar de confraternização dos “Amigos do Elio”. Havia um convite para entrar, mas o cartaz avisava: “Estamos fechados temporariamente. Não temos nada para vender.”

Novos horários e bares na Cidade Baixam afetam atividades adjacentes

Confira a versão da SMIC

Sônia Bastos (Caroline Corso) 23/06/2012
Proprietária do bar aponta que fechamento do bar representa desemprego.

Chegando à porta do bar, a reportagem é convidada a entrar por uma senhora de calça de moletom e pantufas. Sônia Bastos é proprietária do bar e nem mesmo deixa que a pergunta sobre como o novo horário dos bares afetou o movimento seja concluída para começar a falar. “Afetar? Afetar é pouco”, irrita-se. “Já nos fecharam duas vezes. A Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (SMIC) diz que não temos o alvará da saúde, mas temos, sim; com validade indeterminada, inclusive”, ressalta. Sônia lembra que o fechamento do bar também significa desemprego: “Chapista, copista, pessoal de limpeza. Todo mundo é prejudicado com isso.”

Leonardo Palombini e Rafael Montenegro (Caroline Corso) 23/06/2012
Leonardo Palombini e Rafael Montenegro, respectivamente, acreditam que fechamento do bar não é ocasional.

Leonardo Palombini, freqüentador e “amigo” do Elio, vê nos fechamentos da SMIC a tentativa de elitização da Cidade Baixa. “É política higienista da prefeitura. Querem elitizar para a Copa de 2014”, acredita. Diferente do Elio e de outros estabelecimentos que trabalham com “preços populares” na avenida José do Patrocínio, os bares da Lima e Silva dificilmente são fechados. “Mr. Dam (bar vizinho do Cachorro do Elio) e Villa Acústica (outro bar das proximidades) também já foram fechados. Na Lima e Silva, entretanto, não fecham, porque é só playboy. Lá, a cerveja 600ml é oito reais. Aqui no Elio, o litrão é cinco pila”, considera. Palombini afirma que os próprios moradores da região têm, ironicamente, reclamado da falta de movimento. “Antes, tinha movimento na rua e não havia tanto assalto. Agora, está tudo deserto e a Brigada não deu a resposta necessária. Os moradores estão com medo de sair à noite”, garante.

Para Rafael Montenegro, freqüentador assíduo do bar, o que ocorre é uma perseguição. “Está havendo uma perseguição. O Elio tem todos os alvarás, mas não querem deixar funcionar. Quando conseguem abrir, a polícia vem e bota todo mundo no paredão. Daí, ninguém mais volta”, polemiza.

Texto: Caio Venâncio (1º semestre)
Fotos: Caroline Corso (7º semestre)
Colaborou Eduardo Bertuol (6º semestre)

1 comentário

Deixe um comentário