Ciclovia da Ipiranga anda em marcha lenta

Programada para estar concluída em maio de 2012, a construção da ciclovia da Avenida Ipiranga, em Porto Alegre, já dura 26 meses. São mais de dois anos marcados por sucessivas promessas não cumpridas e polêmicas na execução do projeto. As obras iniciaram em setembro de 2011 e chegam a novembro de 2013 com 2,8 quilômetros de extensão entregues. Neste período a ciclovia avançou 3,5 metros a cada dia.

Parte dos trabalhos é bancada pelo Grupo Zaffari, em contrapartida à construção de empreendimentos que geram impacto no trânsito da Capital. O primeiro trecho ficou sob a responsabilidade do Shopping Praia de Belas. O custo aproximado de toda a extensão da ciclovia está em R$ 420 mil por quilômetro, ou seja, R$ 3,9 milhões para todo o traçado entre as avenidas Edivaldo Pereira Paiva e Antônio de Carvalho.

Se 26 meses não foram o bastante para construir pouco menos de dez quilômetros de faixas exclusivas para bicicletas, apenas três meses a mais foram o suficiente para erguer quase 200 mil metros quadrados de lojas. Trata-se do shopping Bourbon Wallig, na zona Norte da Capital, que começou a ser construído pelo Grupo Zaffari em novembro de 2009 e abriu as portas em abril de 2012.

Segundo o diretor da companhia, Claudio Luiz Zaffari, o projeto da ciclovia apresentou inúmeras dificuldades que retardaram a execução da obra. O empresário enumera, por exemplo, as redes de alta tensão com postes em diversas posições, as redes de distribuição de gás, pontes, passarelas, taludes do arroio sem previsão de cargas, larguras exíguas em muitos trechos, desnivelamento do meio fio e vegetação de porte. “Levantamentos e estudos precisavam nortear um projeto que deveria ser objeto de avaliação por várias secretarias municipais e seus técnicos”, explica. “Cada trecho, pelas suas características e história, precisou de tratamentos próprios quanto a estes quesitos e à proteção ao usuário”, complementa.

Confira alguns dos pontos mais críticos da ciclovia passando o mouse sobre os ícones:

As dificuldades também surgiram de forma inesperada para a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). De acordo com Antônio Vigna, Gerente de Projetos Especiais da entidade, a ciclovia é complexa e possui certa dose de ineditismo. “Ainda estamos aprendendo a lidar com isto”, admite o arquiteto, ao falar sobre as parcerias firmadas entre prefeitura e empresas privadas para obras de compensação.

No caso do Grupo Zaffari, Vigna explica que a companhia possui diversos projetos tramitando na prefeitura, o que levou o órgão a definir a construção de ciclovias em uma única via. “Consideramos a Avenida Ipiranga um eixo estrutural, por isso concentramos as obras de compensação ali”, explica. “A entidade privada não necessariamente precisa fazer naquele local. Na verdade, eles até fogem da Ipiranga, porque é um projeto complexo e caro”, revela o gerente.

Faltam ainda 6,6 quilômetros para que toda a ciclovia da Avenida Ipiranga seja finalmente concluída. A prefeitura estima que até junho de 2014, antes da Copa do Mundo, todo o traçado seja entregue. Seria necessário, portanto, que 31,4 metros da ciclovia sejam construídos a cada dia, a contar de 1º de Dezembro. Um ritmo quase 800% mais rápido do que o praticado até agora. A ordem de início dos trabalhos, no entanto, sequer foi assinada.

Relembre as idas e vindas da ciclovia

Texto: Jonathas Costa (8º semestre)

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