Cidade Baixa debate ciclovia

A implementação de uma ciclovia no bairro Cidade Baixa ainda está longe de ser concretizada. Essa foi a impressão que ficou da reunião da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) com moradores e representantes do bairro no salão da Paróquia Sagrada Família de Porto Alegre, na noite de 3 de setembro. Durante cerca de duas horas, a proposta de um cicloviário bidirecional buscando uma conexão entre o centro e a avenida Ipiranga, utilizando a rua José do Patrocínio, foi debatida sem que houvesse entendimento.

Quando a apresentação da proposta terminou, os representantes da EPTC se viram alvos de duras críticas, relacionadas ou não a ciclovia. O consenso da maioria foi que a rua José do Patrocínio é inviável para receber uma faixa exclusivamente para ciclistas, e que a melhor opção é a rua Luiz Afonso. Também houve críticas à empresa apontada como ineficiente no controle do trânsito. O presidente da EPTC, Vanderlei Capellari, se defendeu apresentando um plano de ampliação do efetivo de agentes, atingindo um teto de 700 agentes contratados até março de 2014.

O arquiteto Antonio Vigna, também da EPTC, detalhou o projeto dizendo que o trecho será feito da Usina do Gasômetro até a Érico Veríssimo, passando pelas ruas Loureiro da Silva e Zumbi dos Palmares, mais o Brique da Redenção e a rua José do Patrocínio. Capellari afirmou que a rua José do Patrocínio deverá ter uma faixa livre a menos, para que a ciclovia possa ser implantada sem a necessidade de diminuir o passeio para pedestres. “Não vamos diminuir a calçada”, foi a promessa feita por Antonio Vigna.

O ciclista e ex-presidente da Câmara Riograndense do Livro João Carneiro apresentou como solução que se reduzisse a utilização de automóveis em Porto Alegre. Vigna argumentou que o governo federal incentiva a compra de automóveis, tornando a solução temporariamente inviável. “O que se pode fazer agora são campanhas de educação”, disse Vigna.

Educação no trânsito foi um tema amplamente discutido durante as quase duas horas de reunião. Os ciclistas presentes tiveram como principal reclamação a falta de respeito dos motoristas – especialmente os de ônibus e os de lotação. Um ciclista identificado como Eduardo contou ter sido quase “assassinado” por um motorista de ônibus que, segundo suas palavras, “mirou o ônibus e o atirou em cima de mim”. O professor de economia da UFRGS Luiz Afonso comentou que o respeito deve vir de uma hierarquia de valores dos meios de transporte, começando pelo ser humano – enquanto pedestre – e terminando pelos automóveis. Afonso defendeu uma política de tolerância zero em defesa da vida, proposta que foi prontamente aceita por todos os presentes.

Ao fim do encontro, o presidente da Associação de Moradores do Bairro Cidade Baixa, Zilton Tadeu Figueiredo de Campos, solicitou a todos os 75 presentes que se voluntariassem no trabalho pela ciclovia e pela melhoria do bairro. Afirmou que quer uma negociação amigável em um grupo “que não gere polêmica” e que é a favor de tudo o que servir para melhorar a cidade. Um novo encontro deverá ser marcado dentro de 15 dias, com uma nova proposta a ser analisada pelos moradores. Se o projeto for aprovado, as obras poderão ser iniciadas e finalizadas em até 45 dias.

Texto: Matheus de Jesus (4º semestre)
Foto: Douglas Roehrs (4º semestre)

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