Com a promessa de reduzir a cintura, mulheres se arriscam no treino de Tight Lacing

  • Por: Carla Tesch (7º semestre) | Foto: Carla Tesch (7º semestre) | 16/12/2015 | 0

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O uso de corsets, espécie de espartilho usado para afinar a cintura, vem se tornando popular no Brasil. A prática do tight lacing, espartilhos usados com o objetivo de afinar a cintura, retornou ao universo feminino nos últmos anos. Criado no século XVI, o espartilho servia para realçar o peito, estilizar a cintura e desenhar as ancas, nas mulheres, e nos homens, para obter boa postura e proporções atléticas. Durante o século XIX, época em que a prática atingiu seu auge, as cinturas chegaram a ser apertadas até os 43 centímetros. O excesso e proporções erradas dos espartilhos levaram a deformações no corpo, fraturas das costelas inferiores e até ao deslocamento de órgãos internos. Alguns destes problemas conduziram ao abandono da peça, que passou a ser julgada como símbolo da repressão social feminina no início do século XX.

Apesar dos anos no esquecimento, a moda parece ter retornado e ser o segredo por trás das cinturinhas de personalidades como Kim Kardashian e Paula Fernandes. Para a gaúcha e adepta das cintas Márcia Pazzini, 44 anos, a prática vai muito além de pura estética: “Não é apenas afinar a cintura. Eu acho bonito, é elegante, é um estilo de vida. Eu não sofro e também não faço para agradar aos homens, faço porque gosto. Para mim nunca foi um sacrifício”.

De acordo com Márcia, seu trabalho na organização de eventos pin-ups no Rio Grande do Sul tornou a fascinação pela peça uma consequência natural. “Uso há cerca de quatro anos. Em quatro ou cinco meses, já começa a dar os primeiros resultados”, afirma. Ela explica que, no início, deve-se usar no máximo 10 minutos por dia e aumentar gradualmente, até chegar a duas horas. Ela ambém faz um alerta quanto a imitações baratas, facilmente encontradas, dado o elevado valor das peças fidedignas: “Muita coisa na internet é imitação. Não é o mesmo material e, por isso, são mais baratos. Os produtos utilizados internamente, assim como o número das barbatanas, são alterados. O que se tem hoje no Brasil é importado, por isso o custo no final é muito elevado. Os legítimos variam de 200 a 4 mil reais”.

Apesar dos tentadores resultados, especialistas alertam sobre os riscos que esse tipo de prática pode causar à saúde da mulher. Segundo o educador físico, Márcio da Silva, de 37 anos, o uso de corsets não é a melhor opção para quem deseja reduzir a circunferência e afinar a cintura: “O efeito não é permanente. Sem as peças, a cintura retorna ao normal, além de causar diversos problemas de circulação, na coluna, e até mesmo hérnia de disco. A melhor forma de perder medidas é fazer uma dieta, aliada à prática de exercícios físicos”.