Passeador de cães, uma atividade em ascensão

Surgida na Inglaterra e em metrópoles dos Estados Unidos no início dos anos 1990, a profissão de dog walker (passeador de cães, em tradução livre) ganha espaço no Brasil e começa a se popularizar em Porto Alegre. A vontade de ter um companheiro canino dentro de casa se confronta com a falta de tempo para dar a devida atenção aos bichanos. Trancados a maior parte do tempo em casas ou apartamentos, os cachorros ficam suscetíveis a doenças como obesidade e estresse. Para evitar isso, entram em cena os passeadores ou condutores dos animais.

Com valores de R$ 10 a R$ 30 a hora de passeio por cão e sem a necessidade de uma formação específica, a ocupação atrai estudantes e jovens recém-formados, que aproveitam a demanda e encaixam os passeios no turno inverso ao das aulas ou de outras atividades profissionais. Joaquim Borges, 25, começou a conduzir cachorros quando ainda estava na faculdade. Por causa da dificuldade de encontrar estágio, devido aos horários variados do curso de Veterinária na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), começou com alguns passeios e hoje é um dos sócios da Dogwalker Porto Alegre. “Depois de me formar em Medicina Veterinária, naquela fase de formado que ainda não sabe o que vai fazer da vida, decidi empreender o que eu já fazia. Criei um logo, uma identidade visual, me juntei ao Maurício (Noal) e à Alessandra (Ventura) e hoje vivo disso”, revela.

A demanda é tanta que, segundo a adestradora da agência Meu Cão Feliz, Caroline Pezzi, a carga horária de um dog walker está completa. “Com a agenda cheia, o passeador pode trabalhar oito horas por dia ou até mais”, confirma Caroline. O número de cães que se leva varia de acordo com a política de cada profissional. Há os que conduzem vários animais de uma só vez, enquanto outros preferem dar um tratamento mais personalizado, passeando com um, dois ou três, no máximo. Caroline diz que, com menos, é possível chegar ao número de 20 clientes em um dia.

Rotina obrigatória

A atividade de passear com os cães é parte obrigatória da rotina de quem tem um bicho de estimação. Mesmo assim, existem cães que não recebem esta atenção de seus donos. Isso acontece nos casos em que o animal vive em uma casa com pátio, e sendo assim, tem onde fazer as necessidades, ou, nos casos em que o proprietário não tem disponibilidade para realizar os passeios. Muitos proprietários preferem ensinar seu animal a fazer as necessidades dentro do apartamento, realizando apenas passeios de lazer eventualmente, e, às vezes, nem isso. Algumas pessoas tendem a se sentir culpadas com esta atitude. Nesta hora, os dog walkers, profissionais que ganham seu sustento exercitando cães de outras pessoas, entram em cena.

Em geral, os passeadores colocam os cachorros em um processo de apresentação aos “colegas” de caminhada para evitar brigas. Existe um cuidado especial com os animais mais agressivos. Em relação à saúde, o ideal é manter em dia a vacina polivalente, contra tosse e antirrábica. Estas vacinas previnem doenças que têm como forma de transmissão o contato direto com outros cachorros, caso dos passeios coletivos realizados pela maioria dos condutores. Outro aspecto importante é estar em dia com o controle parasitário.

Os benefícios da atividade

De acordo com a médica veterinária Celeste Guimarães, uma das enfermidades que afeta muitos cães é a obesidade. Tudo o que se prega hoje para cuidar a saúde das pessoas, também vale para os cães, sendo assim, a atividade física regular é imprescindível para a manutenção da saúde animal e prevenção de sobrepeso, diabetes, doenças cardiovasculares e articulares entre outras. A veterinária da Secretaria Especial dos Direitos dos Animais, Marcia Maria da Silva Generasca, confirma que a obesidade é um grande problema na cidade de Porto Alegre. “Na clínica veterinária nos deparamos com uma casuística alta de cães obesos, que, além de problemas articulares apresentam casos graves de cardiopatia”, relata. Entretanto, o órgão ainda não tem um estudo indicativo de quantos animais são atingidos pela doença.

Além de reduzir o sedentarismo em cães, outro ponto positivo do exercício é servir como ferramenta para a correção de distúrbios comportamentais como a agressividade. Por isso, a contratação deste serviço pode trazer benefícios também aos proprietários, que, segundo Celeste Guimarães, na maioria das vezes percebem o resultado físico e comportamental do animal, e se livram da possível culpa de não atender a todas as necessidades do seu pet.

Profissão Ascendente

Em São Paulo, existem cursos formadores de dog walkers para tentar suprir o mercado. Há quase 16 anos profissionalmente lidando com cachorros, o organizador do Curso Passeadores de Cães, Fernando Baiardi, explica que é preciso entender como os animais se relacionam com os seres humanos e como influenciar em suas vidas de forma mais positiva. “Resolvi focar o curso nas deficiências de quem atua nesta área”, conta Baiardi. Para ele, embora não pareça, é um serviço que requer muita responsabilidade, disciplina e comprometimento. Defende que o trabalho deve ser prazeroso para os dois e dá a dica: “Não gosto de passeador que sai com um bolo de guias na mão arrastando seus cães. Minha prioridade sempre foi o bem-estar dos meus cães”, afirma.

O curso de Baiardi tem duração de um dia inteiro e procura preparar o condutor para diversas situações, entre elas imprevistos de percurso. Esta etapa prevê a fuga dos cães, encontro com outros animais, brigas que possam acontecer na própria matilha ou com matilhas externas. Além disso, o curso passa noções de direito, como leis municipais, direitos dos animais, regras quanto às viagens.

Com a finalidade de diversificar as experiências de diferentes cheiros nos percursos e do contato com outros cães que eventualmente também estão na rua, os passeadores não costumam ter um padrão de caminhada. Por exemplo, se o mesmo trajeto for feito todos os dias, isto empobreceria a experiência do passeio. O que se busca é fazer percursos diferentes na ida e na volta de uma mesma caminhada.

Texto: Leonardo Cardoso (6º sem.), Martina Jung (7º sem.) e Roberto Stone (8º sem.)
Fotos: Fernando Baiardi

4 comentários

  • jonathan
    14:00

    ola eu quero trabalhar de passeador de caes mais eu tenho so 13 anos .
    eu estou quero muito obg

  • Vera Regina
    22:56

    gostaria de saber onde encontro curso de passeadores de caes aqui em Porto Alegre, RS, obrigada

  • Tenho 50 anos, moro em Manaus e gostaria de saber se aqui tem em algum lugar curso para passeador de cães.
    Amo animais e preciso de uma renda EXTRA. De quanto precisaria para abrir um negocio nesse ramo.
    Quais os requisitos para abrir um negocio desse, pois não tenho muito para investir minhas economias são poucas e me identifiquei com isso tudo.

    Aguardo.

  • Bom dia já passeio com um cachorro de uma vizinha um ano , mas ela esta de mudança. Eu gostaria de saber se interessaria de uma passeadora de cães . Obrigada.

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