Conheça as empresas que apoiaram as campanhas dos vereadores de Porto Alegre

Conquistar um assento na Câmara de Vereadores de Porto Alegre não é, na maioria das vezes, uma tarefa barata. Com campanhas que podem custar mais de cem mil reais, muitos daqueles que se elegeram vereadores ou assumiram como suplentes recorreram ao apoio de empresas para auxiliar nas despesas da busca pelos votos. A partir dos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Editorial J realizou um levantamento que mostra quais corporações ajudaram a colocar na Câmara os atuais vereadores. As doações de pessoas físicas não foram incluídas.

A lista abaixo é baseada apenas nas doações diretas de empresas para os candidatos eleitos, não considerando os repasses indiretos feitos para comitês de campanha e diretórios de partidos. O que os dados mostram é quais empresas mantiveram uma contato imediato com os atuais ocupantes da Câmara de Vereadores, durante a campanha eleitoral de 2012. Os vereadores Paulinho Motorista (PSB), José Freitas (PRB), Waldir Canal (PRB), Séfora Mota (PRB), Fernanda Melchionna (PSOL) e Lourdes Sprenger (PMDB) não receberam doação alguma de pessoas jurídicas.

A listagem dos doadores tem lacunas, porque não foi possível encontrar informações sobre algumas das empresas. Caso tenha alguma contribuição a fazer, ou algum erro a apontar, por favor, deixe um comentário no espaço abaixo, ou entre em contato pelo perfil do Twitter @editorialj.

A planilha também pode ser acessada (e duplicada, caso você queira investigar melhor os dados) clicando-se aqui.

Entre os apoiadores, as empresas ligadas à construção civil são maioria, juntamente com administradoras de shopping centers. Goldsztein, Conpasul, Toniolo Busnello, Melnick Even, Rotta Ely, Habitasul e Arquisul compõem o primeiro grupo e chegaram a realizar doações de até 40 mil reais para para alguns candidatos.

O Grupo Zaffari e a Multiplan Empreendimentos Imobiliários se notabilizam entre o ramo das administradoras de shoppings. Enquanto a carioca Multiplan, que administra o Barra Shopping Sul, doa até 60 mil para um único vereador, o grupo empresarial gaúcho dilui seus recursos entre diversos candidatos, sob o nome de diferentes empresas, como a Companhia Zaffari de Comércio e Indústria, Bourbon Administração, Comércio e Empreendimentos Imobiliários, Indústrias Alimentícias Haiti Plic Plac e a Maxion Comércio e Transporte. Os dois grupos são os maiores doadores, em volume de recursos destinados às campanhas dos candidatos vencedores.

Ex-secretários do prefeito José Fortunati estão entre os vereadores que mais arrecadaram recursos diretamente de pessoas jurídicas: Válter Nagelstein (PMDB), que ocupou a Secretaria de Indústria e Comércio (SMIC), obteve cerca de R$ 146.170,92; Cássio Trogildo (PTB), ex-secretário de Obras e Viação (SMOV), amealhou R$ 133.600,00; e Márcio Bins Ely, antigo titular da Secretaria do Planejamento (SMP), recebeu um total de R$ 277.531,73 de empresas. Nos três casos, destacam-se em valor e número as doações de pessoas jurídicas da área da construção e incorporação imobiliária. Na planilha acima, apenas as dez empresas que mais contribuíram para cada destes candidatos está listada.

Professora de ciência política da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Márcia Dias questiona o financiamento de campanha pela iniciativa privada: “Estamos em um momento de grandes investimentos em infra-estrutura, o que pode gerar doações revestidas de um interesse pragmático, que esperam se beneficiar em um processo de licitação, por exemplo.”

Para ela, o apoio financeiro das corporações é a origem da maior parte dos escândalos de corrupção. “Casos como o do Mensalão e do Cachoeira sempre têm esse componente”, afirma. A solução, ainda que parcial, seria uma reforma política que instituísse o financiamento público de campanha. “Uma igualdade financeira entre os candidatos ocorreria, mas a prática do caixa dois provavelmente não seria extinta. É importante lembrar que a corrupção da classe política também está presente na sociedade”, salienta.

A reportagem entrou em contato com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon) e com a Multiplan Empreendimentos Imobiliários, mas ambos não se manifestaram sobre a participação na campanha dos vereadores de Porto Alegre até o fechamento desta matéria. Através de sua assessoria de imprensa, o Grupo Zaffari informou que não iria se pronunciar a respeito de suas motivações para doar recursos às campanhas dos vereadores.

Texto: Caio Venâncio (2º semestre)

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