Crise marca 10 anos do PT no governo federal

O julgamento do escândalo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) resultou não somente na condenação de importantes líderes petistas como também em grandes estragos ao Partido dos Trabalhadores (PT). A opinião é compartilhada parcialmente entre o ex-vereador e presidente do diretório municipal do PT, Adeli Sell, o cientista político Benedito Tadeu Cesar e o integrante do PSOL Bernardo Corrêa. O escândalo, acrescido de outros fatores, é responsável pelo momento crítico da agremiação que completa, em 2013,10 anos de administração federal.

Para o cientista político Benedito Tadeu Cesar, os principais motivos da crise petistas são as transformações pelas quais o PT passou nos últimos anos, que são inerentes a qualquer partido que assume o poder. Isso fez a sigla se igualar aos demais partidos que estiveram no poder. Mesmo assim, Tadeu Cesar acredita que este mau momento não afetou líderes importantes do PT, como o ex-presidente Lula que, segundo ele, tem uma capacidade muito grande para se distanciar de escândalos.

Quanto às últimas denúncias envolvendo o ex-presidente com Rosemary Noronha (ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo,  indiciada por vender pareceres técnicos), Tadeu Cesar crê que o efeito final será determinado pela decorrência de outros fatores, como a repercussão na sociedade. Outros escândalos, como o mensalão, não trouxeram consequências graves para o PT em momentos importantes, caso da última eleição. Uma prova disto é a constatação fruto do levantamento feito pelo Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais (Inpro), presidido pelo cientista, de que 80% dos eleitores de Porto Alegre não iriam se deixar influenciar pelo julgamento na hora de votar.

Opinião mais comedida sobre a crise tem o presidente do PT municipal de Porto Alegre e membro da sigla desde a sua fundação, o ex-vereador Adeli Sell. Para ele, as polêmicas dos últimos anos geraram complicações para o partido, embora não fossem determinantes, tanto que o PT elegeu diversos prefeitos na última eleição enquanto o julgamento do mensalão estava ocorrendo no STF. Outro fato ressaltado pelo dirigente é que pelo menos na base de militantes da sigla, o mensalão não teve efeito muito negativo. Tanto que os militantes consideram que houve, em Brasília, não compra de votos, mas sim um crime de caixa dois, o que é praticado por diversos partidos na política brasileira.  Mesmo assim, Adeli admite que a sigla errou ao adotar a prática, tanto que está pagando  caro por isso.

Outro fato ressaltado pelo petista é que, apesar das condenações de importantes lideranças do partido, como José Dirceu, José Genuíno e João Paulo Cunha, isso não anula a ética que sempre pautou o PT. Baseado no que viu como dirigente municipal, Adeli alega que, em Porto Alegre, o que acarretou no fraco desempenho do candidato Adão Villaverde nas eleições de outubro em que conseguiu somente 9,6% dos votos, não foi o julgamento no STF dos acusados do mensalão e, sim, o próprio partido que não se empolgou com seu candidato. Para Adeli, o resultado da última eleição foi o pior de todas as disputas que o PT de Porto Alegre participou, desde a volta das eleições diretas para prefeitura em 1985. ”Isso mostra a necessidade de uma reconexão do PT com a alma do povo”, acrescenta o dirigente municipal.

“O PT age atualmente da mesma maneira que operam os partidos tradicionais, por isso não entusiasma mais como antes”, avalia Bernardo Corrêa, dirigente do PSOL, partido que surgiu da expulsão de ex-petistas em 2003. Quanto a escândalos como o mensalão, o dirigente estadual da sigla relembra que foi justamente o voto contrário de integrantes do PT que acarretaram em expulsão e na fundação do PSOL, quando eram votados no Congresso Nacional projetos cujos votos teriam sido comprados. Na opinião de Corrêa, isso tem levado o PSOL a campanha para que sejam anuladas as reformas aprovadas no Congresso Nacional, através da compra de votos, como da previdência por exemplo.

Além disso, o dirigente aproveita para cutucar os petistas dizendo que usam a bandeira da anticorrupção apenas para desgastar adversários, não para mudar a forma de fazer política. Corrêa também lamenta que as coisas erradas feitas tanto pelo PT quanto pelos demais partidos geram um ceticismo muito grande da população em relação à política.

 

Texto: João Pedro Arroque Lopes (4º semestre)

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