CrossFit ganha adeptos em academias gaúchas

O CrossFit, um treinamento de força, que envolve resistência muscular, flexibilidade, potência, velocidade e equilíbrio, é cada vez mais comum entre os clientes de academias brasileiras. Esse tipo de exercício é praticado no exército e em grupos de operações táticas nos Estados Unidos. No Brasil, começou a surgir no ano de 2009 e só agora apresenta um reconhecimento significativo.

Maximo Domingues, dono de um dos nove boxes (nome que é dado ao estabelecimento que fornece o treinamento especializado) do Rio Grande do Sul, trouxe a modalidade da Espanha, local onde morou por cinco anos e fez cursos de especialização na área. Ele próprio dá o exemplo e, mesmo com duas próteses, consegue treinar diariamente, porém nunca deixa ressaltar as orientações mais importantes para quem procura a CrossFit Poa: “Tem que ter qualidade de vida antes de tudo. É preciso uma alimentação boa, uma postura adequada e seguir o treinamento”, explica.

Para os praticantes de CrossFit o discurso é uniforme e todos elegem o seu próprio limite como o maior inimigo. Para Rodrigo Domene, praticante da modalidade há quase quatro meses, o desafio é diário. “É viciante. Cada dia é uma aula diferente misturando levantamento de peso e ginástica. Além disso, tem sempre o papel da equipe, no crossfit um ajuda o outro”, conta. Douglas Gernhardt, de 29 anos faz o treinamento há um ano e foi levado por amigos a experimentar a novidade: “Agora não vou sair nunca mais!”

Se engana quem pensa que as mulheres ficam para trás. Muitas iniciam o treinamento buscando uma maneira de emagrecer e alcançar a definição do corpo num período curto de tempo e não param mais. Letícia Brizola, 25 anos, não se contentou em ficar apenas na musculação. Queria uma modalidade mais motivadora e, assim, descobriu o CrossFit. “Apesar de não ter sido esse o meu objetivo inicial, já disputei até competições estaduais”, relata.

Para Francisco Javier, mais conhecido como Chiquinho, tricampeão do Torneio CrossFit Brasil, a modalidade está crescendo muito rapidamente e, justamente por isso, os cuidados devem ser constantes. “Gerar cada vez mais praticantes é uma consequência normal, mas deve crescer também a prioridade por manter a qualidade. A batalha tem que seguir buscando sempre que a prática venha aliada a conhecimento e boa estrutura”, afirma.

Especialistas ressaltam os cuidados antes de iniciar novas modalidades

O diretor da Faculdade de Educação Física da PUCRS, Luciano Castro, ressalta o interesse repentino por novas atividades corporais como um dos maiores problemas para os novatos. “As academias geralmente não oferecem turmas diferenciadas para iniciantes, intermediários ou avançados. Nesses casos é fundamental que cada um procure o seu nível e quem está iniciando tome determinados cuidados. Entretanto muitas pessoas não querem ‘ficar para trás’ e acabam extrapolando seus limites, seja por pressão para ter um bom rendimento, influência dos demais alunos, ou simplesmente falta de conhecimento de sua condição corporal. Quando se trata de um modismo esse risco é mais cruel ainda”, lamenta.

Para Castro, os interessados em praticar CrossFit devem fazer um controle da frequência cardíaca, adaptar a intensidade do treino e levar em conta o esforço cardiorrespiratório e a intensidade do esforço muscular. “Pessoas sedentárias correm sérios riscos físicos quando não administram de forma adequada a prática do CrossFit. Já para indivíduos com histórico de problemas cardiorrespiratórios é obrigatória a liberação médica antes de iniciar a modalidade”,  alertou. O Colégio Americano de Medicina Esportiva indica que pessoas com mais de 40 anos também procurem um médico para obter uma autorização. “Para quem já tem o costume se exercitar, entendo que acaba sendo apenas um caso de adaptação”, informa.

Aline da Silva Pinto, professora de Educação Física da Feevale, ressalta ainda que os riscos da prática indiscriminada podem ocorrer em qualquer modalidade. “É fundamental que o aluno busque a orientação adequada em profissional adequado, levando em conta sempre a sua saúde e qualidade de vida”, alerta.

Texto: Karine Flores (8º semestre)
Foto: Sunsurfr (Flickr)

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