Debates presidenciais geram discussões nos Estados Unidos

Quando Barack Obama e Mitt Romney entraram na Universidade Lynn, em Boca Raton, Flórida, no dia 22 de outubro, para o terceiro e último debate da eleição presidencial norte-americana de 2012, o peso de meses de campanha finalmente seria descarregado pelos dois adversários. Aquele presidente que mostrou pouca disposição e, de acordo com a imprensa local, perdeu o primeiro duelo na Universidade de Denver, não era mais o mesmo. Como já havia feito no segundo encontro, o candidato à reeleição não mediu esforços para desqualificar as palavras do desafiante. Na pauta, a política externa.

A grande quantidade de conteúdo apresentado é uma das principais características do embate, analisa a cientista política e professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Márcia Dias. “Eles tem uma tradição muito forte no debate e este se dá na base do conteúdo. Eles se preparam para serem inquiridos”, diz.

Considerando que Obama concorre a um novo mandato, é necessário entender que sua propaganda é diferente da de 2008. O discurso sofreu uma “modulação”, nas palavras do secretário de Coordenação Política e Governança Local de Porto Alegre, Cézar Busatto. Em 2008, ele lançou o livro “Um voluntário na campanha de Obama”, onde conta sua experiência de ter ajudado na campanha do atual ocupante do Salão Oval da Casa Branca. “O fato de ser presidente por três anos e nove meses e ter sofrido desgastes pela dura oposição conservadora e reacionária aos seus projetos, assim como pela profundidade da crise econômica que teve que enfrentar, leva Obama a ter que modular o seu discurso e prática de candidato a reeleição”, analisa.

No primeiro embate, ocorrido na Universidade de Denver, a vitória de Romney foi inesperada, afirma o apresentador da Rádio Guaíba Jurandir Soares. Especialista em assuntos internacionais, ele relata que 74% dos norte-americanos questionados sobre o assunto acreditavam que o ex-governador de Massachussets iria perder o confronto. “O que se viu, no entanto, foi a sua vitória no debate e as pesquisas posteriores apontarem para uma virada na preferência do eleitorado”, observa.

Outra questão, levantada por Márcia Freitas, é o papel dos meios de comunicação durante o processo. A pesquisadora avalia que estes servem para avaliar o desempenho dos concorrentes. “Romney ganhou o debate. Há um consenso midiático em torno disso, assim como o reconhecimento do próprio Obama”, pontua.

Os próximos dois eventos serão decisivos. Cézar Busatto analisa o debate como um guia para o eleitor dos Estados Unidos: “Estes debates são transmitidos por todas as grandes redes de TV e dezenas de milhões de pessoas assistem e usam para tomar suas decisões de voto, especialmente os eleitores ainda indecisos.”

Para vencer Obama, Mitt Romney deve buscar apoio no eleitorado hispânico

Buscar o voto num reduto minoritário dos Estados Unidos. Esta pode ser uma das alternativas para Mitt Romney, o candidato do Partido Republicano à presidência. Esta é a opinião de Tomaz Paoliello, doutorando do programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (UNESP, UNICAMP, PUC-SP). Para ele, Romney tem buscado aproximar suas relações com o eleitorado hispânico.

Apesar da tendência democrata, essa parcela da população ajudou a eleger o ex-presidente George W. Bush, republicano. No entanto, Paoliello alerta para os obstáculos que o republicano irá enfrentar. “A dificuldade em conquistar o voto hispânico com a premissa de que pouco foi feito por essa porção do eleitorado precisa ser colocada em oposição ao tipo de política que foi adotada pelo partido republicano nos governos de certos estados, como o Arizona”, diz.

Outra questão da campanha é o discurso fervoroso contra o atual presidente Barack Obama. Durante a convenção do Partido Republicano, em Tampa, na Flórida, no final de agosto, o candidato a vice-presidente, Paul Ryan, teria apresentado diversos dados incorretos sobre a gestão do atual presidente. Contudo, mesmo com este tipo de distorção, o cientista político da PUCRS Rafael Madeira acredita que, quando o adversário está em processo de reeleição, a tendência é buscar erros da gestão dos últimos anos. “O fato de Obama ser governo tende ao ataque. O último mandato é uma das principais pautas da agenda eleitoral”, ressalta.

Bin Laden: O troféu democrata

Maior trófeu da gestão de Barack Obama, a morte de Osama Bin Laden é outra barreira que o conservador terá que enfrentar. Para Rafael Madeira, os triunfos militares tem o costume de ser uma bandeira republicana, contudo o argumento poderá ser usado pelos democratas nas eleições deste ano: “O tema da intervenção internacional, do combate ao terror, temas que envolvem ação militar, agradam muito aos republicanos. Com essa conquista para os democratas, os republicanos acabam ficando sem pulso firme.”

Texto: Pedro Henrique Tavares (7º semestre)

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