Depressão: sinais são pedidos de ajuda

No mês do Setembro Amarelo, profissionais ressaltam a importância da busca de auxílio para tratamento adequado de transtornos mentais.

  • Por: Rafaela Pfeifer (1º semestre) | 14/09/2018 | 0

“O suicídio é um evento evitável.” Afirma Gilberto Broffman, psiquiatra e diretor do HPSP (Hospital Psiquiátrico São Pedro). Segundo as estatísticas, antes de cometê-lo, o indivíduo pode dar inúmeros sinais de alerta sobre o seu estado mental.

Rafael Ruschel, psicólogo especializado em TCC (Terapia Comportamental Cognitiva) do Instituto Cyro Martins, adverte que o suicídio é uma ação definitiva para uma dificuldade passageira. “O problema da dor emocional e do transtorno é temporário e pode ser curado com a psicoterapia. Ele pode ser atenuado através do tratamento e as pessoas precisam saber que esse é possível e está disponível. Essa dor pode terminar e a pessoa não precisa tomar uma medida definitiva.”

No Setembro Amarelo, mês de prevenção do suicídio, o psicólogo destaca a necessidade de uma postura ativa e do compartilhamento de conhecimento e informações sobre o assunto, levando em conta sempre a confiabilidade das fontes. Broffman, ainda, ressalta a importância do diálogo. Segundo ele, isso não produz nenhum estímulo ao ato. “Todo o cuidado é pouco. Nesses casos, é sempre melhor pecar por excesso do que por falta.”

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), distúrbios mentais compreendem um amplo conjunto de problemas, que possuem diferentes sintomas. Entretanto, são, geralmente, caracterizados por alguma combinação de percepções, pensamentos, emoções e comportamentos singulares. Entre as doenças encontram-se a esquizofrenia, a depressão, a ansiedade, o transtorno bipolar, o estresse pós-traumático, a anorexia, o transtorno de personalidade borderline, as deficiências intelectuais, os distúrbios devido ao abuso de drogas, entre outros.

Além disso, segundo a organização, pessoas com transtornos mentais graves possuem uma taxa de mortalidade 2 a 3 vezes maior que a população geral, o que se traduz em uma diminuição da expectativa de vida de 10 a 20 anos. As causas são diversas, mas a estreita ligação do suicídio com esses distúrbios preocupa.

Segundo Ruschel, o suicídio está relacionado, principalmente, com a depressão. “Ela acaba fazendo com que o indivíduo veja o futuro de uma maneira muito negativa e pessimista.” A desesperança, sensação que ele define como “a falta da vontade de viver, a vontade de sumir ou o desejo explícito de morrer ou tirar a própria vida” é um dos principais sintomas para que seja possível identificar se alguém se encontra em uma situação de risco.

O psicólogo também ressalta a importância de aprender os sinais que podem indicar o desenvolvimento ou a presença de algum transtorno. Os indícios de que algo não está bem estão comumente relacionados a mudanças bruscas no comportamento e frases explícitas sobre o desejo de tirar a própria vida. Além disso, é tão necessário cuidar da saúde pessoal, quanto dar apoio para quem estiver sofrendo. Fazer sua parte referente ao seu papel social é imprescindível para que seja possível lidar com o problema.

 

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