Depressão tem tratamento

Profissionais indicam sinais da doença e sugerem como agir em situações de risco à vida

  • Por: Eduardo de Bem (3° semestre) e Clara Godinho (1º semestre) | 30/05/2017 | 0

A maioria das pessoas não sabe como lidar com a depressão, doença que exige acompanhamento e tratamento para ser superada. A psicóloga Caren Borges, do Institut Avuí, de Porto Alegre, destaca que depressão é diferente de tristeza que é momentânea, geralmente causada por uma perda ou algum fato recente. “A depressão mostra um padrão de sentimento de que nada está bom e quem sofre não consegue buscar ajuda, pois acha que ninguém entende o que está passando”, detalha Caren.

Depressão e suicídio são problemas debatidos mais intensamente hoje devido à série da Netflix “13 Reasons Why” e ao jogo da “Baleia Azul”, que provocaram discussões por colocar esses assuntos em pauta.  Em 2015, o suicídio foi a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos e a depressão já atinge 11,5 milhões de brasileiros, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A mudança de comportamento, isolamento, agressividade e falta de prazer são alguns dos sinais apresentados por quem sofre de depressão e que, muitas vezes, passam despercebidos por parentes e amigos. Eles indicam que a pessoa está com problema.

O rendimento escolar dos jovens também cai e a pessoa passa a se expor a riscos, se sentir sozinho e tem vergonha de buscar ajuda, aponta a profissional do Instituto Avui Terapias Integradas, situado na Avenida Carlos Gomes, 1200, conjunto 906.

A depressão tem tratamento psiquiátrico e por psicoterapia, porém, é mais do que aconselhável dar ajuda a quem precisa. Conversar, dar carinho e afeto são maneiras de ajudar no tratamento, como também estar disponível e ter empatia para que não se sinta sozinho em meio a essa doença, recomenda Caren Borges.

Como ajudar quem tem depressão ou tendências suicidas

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio. A coordenadora de divulgação, Liziane Eberle, aconselha as pessoas a perder o medo de se aproximar das outras e oferecer ajuda a quem está ou se sente sozinho e isolado. Liziane recomenda uma forma de abordagem como: “tem algo que eu possa fazer para te ajudar? Percebo que estás te sentindo mal, queres conversar comigo?”

Conforme Liziane, a pessoa pode sentir abertura para desabafar, já que ter alguém para ser ouvido faz diferença. Ela diz também que quem está preocupado deve se manter perto do possível suicida o tempo todo, deixar a pessoa falar dos seus sentimentos e ouvir com atenção, procurando “mostrar a beleza da vida”. Liziane recomenda ainda que a pessoa seja levada a um profissional capacitado, psiquiatra, psicólogo, psicoterapeuta, ou a um hospital.

Em entrevista ao Editorial J, uma mulher que tentou o suicídio compartilhou sua experiência. “Depois de ter sofrido um aborto espontâneo, passei dias sem comer e tomando remédios para dor e calmantes. Quase uma semana depois, decidi que as dores iriam parar, e ingeri uma cartela e meia de analgésicos e mais uma de calmantes. Resisti alguns minutos, mas acabei apagando. Acordei 12h depois, ainda no meu quarto, fraca”.

Segundo a psicóloga Sandra Angelini, deve-se permitir que a pessoa fale e busque o acolhimento em primeiro lugar, sem ameaçar ou fazer julgamentos. “Para alguém pensar em suicídio, deve estar se sentindo muito solitário, isolado e não conta com apoio. No momento em que a pessoa percebe que conta com alguém e este alguém se preocupa com ela, pode aparecer a chance de enxergar outras possibilidades para resolver os conflitos”, explica.

Onde buscar atendimento em Porto Alegre

Texto: Guilia Cassol

São diversos os locais que oferecem atendimento para pessoas com problemas psicológicos em Porto Alegre, tanto na rede pública como na rede privada, através de convênios. Apenas na rede pública, são indicados 177 locais que oferecem auxílio para casos de pessoas com esse tipo de problema. Na rede privada, também é oferecido esse auxílio de forma gratuita para o público em geral. Esses locais são:

Rede Pública de Saúde de Porto Alegre

A Secretaria Municipal de Saúde explica que há um conjunto de recursos disponíveis, desde a atenção primária e especializada até o serviço hospitalar, o que se chama de rede de atenção psicossocial. Atualmente, a rede de Porto Alegre conta com 35 locais de assistência em saúde mental, além de 141 unidades de saúde da atenção primária. Mais informações podem ser obtidas nas unidades de saúde de referência, portas de entrada para o atendimento na área.

Para manter a saúde mental, é necessário prevenção e cuidado, alertam os profissionais de saúde, nas unidades de saúde, há profissionais que podem reconhecer o início de uma situação de sofrimento, como ansiedade, depressão ou uso abusivo de drogas, podendo ajudar a evitar que o caso se agrave. A rede de saúde de Porto Alegre conta ainda com o auxílio de profissionais nos centros de Atenção Psicossocial, na Equipe de Saúde Mental, na Equipe Especializada de Saúde da Criança e do Adolescente, na oficina de saúde, geração de renda e trabalho, além de hospitais gerais onde existem unidades de internação em saúde mental.

Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA)

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) oferece atendimento por meio do Serviço de Psiquiatria, Serviço de Psiquiatria da Infância e da Adolescência ou Serviço de Psicologia. Para consultar no hospital, é necessário seguir as regras do Sistema Único de Saúde (SUS).

Moradores de Porto Alegre devem se dirigir ao posto de saúde mais próximo, que providencia o agendamento, seja no Hospital de Clínicas ou em outro estabelecimento conveniado com o SUS. O primeiro atendimento em cada especialidade é agendado pela Central de Marcação de Consultas da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre. Quem reside em outras cidades ou estados deve procurar um posto de saúde ou a Secretaria de Saúde de seu município ou região. O atendimento de pacientes de outros estados só é efetivado quando encaminhado pela Central Nacional de Regulamentação do SUS. Para tanto, o interessado deve, primeiro, procurar a Secretaria Estadual de Saúde do estado de origem, que fará o encaminhamento do atendimento.

O Serviço de Psiquiatria possui os seguintes ambulatórios:

  • Esquizofrenia e Demências
  •  Núcleo de Estudos e Tratamento do Trauma Psíquico
  •  Psiquiatria Pré-operatória
  •  Transtornos de Identidade de Gênero (Protig)
  •  Transtornos Alimentares
  •  Transtornos de Humor
  •  Transtornos do Humor Bipolar
  •  Transtornos de Ansiedade
  •  Triagem

Há também o Serviço de Psiquiatria da Infância e da Adolescência que tem os seguintes ambulatórios e programas:

  • Programa de Déficit de Atenção/Hiperatividade
  • Ambulatório de Interação Pais-Bebê
  • Programa de Crianças e Adolescentes Bipolares
  • Programa de Atendimento para Adolescentes Usuários de Substâncias Psicoativas

Faculdade de Psicologia da PUCRS

No prédio 11, localizado dentro do campus da PUCRS, existe Serviço de Atendimento e Pesquisa em Psicologia (SAPP), que disponibiliza atendimentos gratuitos ao público em geral com o auxílio de alunos e profissionais da área da Psicologia.

Para ter acesso ao atendimento basta ligar para (51) 3320-3561, apenas nos dias 15 ou 30 de cada mês (caso seja domingo ou feriado, a ligação deve ser feita no próximo dia útil). O serviço é destinado a pessoas de todas as idades, contando com 15 vagas disponíveis por dia. O agendamento só pode ser feito através de ligações, mas dúvidas podem ser tiradas através do email: sapp@pucrs.br.

Hospital Mãe de Deus

Todos os conveniados são atendidos, através do agendamento prévio pelo fone (51) 32234465 de segunda a quinta, sendo que, nas sextas, o fone para contato é (51) 32306000. Os pacientes do SUS têm atendimento 24 horas por dia no Postão do IAPI em Porto Alegre.  Coordenado pelo médico Ricardo Nogueira, existe o Centro de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio do Hospital Mãe de Deus, que funciona como um centro de ensino, pesquisa e saúde, que auxilia escolas e instituições.

CVV

O CVV é uma ONG que existe há 47 anos em Porto Alegre e presta apoio emocional para as pessoas 24 horas por dia pelo telefone 188. Não oferece tratamento, pois não são profissionais de saúde que prestam o atendimento e, sim, voluntários treinados e capacitados para ouvir os desabafos, temores, angústias e tristezas de quem procura esse auxílio. O atendimento presencial é feito no posto da CVV situado na Av. José de Alencar 414/205 no bairro Menino Deus, das 8h às 18h todos os dias. O site da ONG: www.cvv.org.br.