Doação de órgãos depende exclusivamente de autorização da família

Em meio a um momento de dor relacionado à perda de um familiar, autorizar a doação de órgãos é uma decisão difícil. Por estar ligado a um tema que geralmente se evita abordar, a morte, o assunto é deixado de lado em conversas com pessoas próximas. Vencer esse tabu e falar sobre doação de órgãos e tecidos contribui para aumentar o número de homens, mulheres e crianças que, a partir deste gesto, recomeçam suas vidas.

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A doação de órgãos no Brasil é regulamentada pela Lei 9.434/1997, posteriormente alterada pela Lei 10.211/2001. A legislação orienta os procedimentos a serem adotados e determina a autorização dos pais ou parente mais próximo como a única condição para que possa ser realizado o transplante. Ter esta informação grifada em um documento como o Registro Geral (RG) ou a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) perdeu a validade com a nova redação da lei. É essencial, portanto, para quem tem o desejo de se tornar doador, que sua vontade seja expressa em vida e declarada no âmbito familiar.

Uma parceria do Ministério da Saúde (MS) com a rede social Facebook lançou em julho deste ano uma campanha de conscientização para a importância de manifestar o interesse em ser doador. A página “Seja um doador de órgãos. Seja um doador de vidas.” divulga informações referentes ao tema e alcançou mais de 120 mil “curtições” em três meses. Segundo o Departamento de Atenção Especializada do MS, contudo, a declaração no Facebook não tem valor oficial. Somente com autorização dos familiares a doação de órgãos e tecidos pode ser realizada, deixando para a rede a tarefa de disseminar a ideia.

Condições para realizar a doação

Órgãos e tecidos de um único doador podem beneficiar até 20 pessoas. São eles córneas, coração, fígado, medula óssea, ossos, pâncreas, pele, pulmão, rins, tendões e válvulas cardíacas. O estado de saúde do doador é analisado e a causa da morte define o que pode ser doado.
Em caso de morte encefálica (quando o cérebro deixa de exercer suas funções) todos os órgãos e tecidos são clinicamente aptos para a doação. Em circunstâncias assim o coração, por exemplo, segue batendo por mais algumas horas. Essa função vital de alguns órgãos é necessária para a realização do transplante. Esta situação difere do coma, que é quando o indivíduo tem fluxo sanguíneo no cérebro e pode respirar sem a necessidade de aparelho. Quando a morte acontece em outras condições, a avaliação médica de cada caso determina a doação.

Doações que podem ser feitas em vida

Existem alguns tipos de doação que não dependem da morte ou prejuízo físico por parte do doador para acontecer. A mais conhecida é a transfusão de sangue, mas também fazem parte da lista a medula óssea, rim, pâncreas e uma parte do fígado e do pulmão. Tirando os dois primeiros exemplos, os demais só podem ser realizados entre familiares ou com declaração judicial atestando a vontade do doador quando o receptor não for da família.

Dados de doações no Brasil

De 1º de janeiro a 30 de setembro de 2012, 1.852 transplantes foram realizados em todo o Brasil, 9% do necessário para atender os 20.005 pacientes que se encontram nas listas de espera. Estes dados fazem parte do balanço trimestral feito pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) que aponta um aumento de 21% em relação ao mesmo período do ano passado.

Veja uma entrevista com Consuelo Rejane Pereira da Silva

Texto: Bruna Fernanda Suptitz

4 comentários

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  • CONSUELO
    23:17

    BRUNA, ADOREI TEU TRABALHO, FOI MUITO BEM FEITO E, O QUE MAIS GOSTEI FOI DO TÍTULO DA REPORTAGEM.. IMPORTANTE AS PESSOAS SABEREM QUE PARA DOAR PRECISAM DEIXAR BEM CLARO PARA OS FAMILIARES AFINAL É A ÚNICA FORMA LEGAL DE FAZÊ-LO.
    PARABÉNS!!!
    CONSUELO

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