Entrevista: Pablo Nicolau, conselheiro do Grêmio

Pablo Rodrigo Nicolau
30 anos
Administrador de Empresas
Vice-Presidente de Comunicação do Movimento Grêmio Novo
Conselheiro Grêmio FBPA

O que fez você entrar no mundo político de seu clube?

Basicamente, o desejo pessoal de poder contribuir de forma mais ampla com o clube, não sendo somente o “torcedor de arquibancada”. Mesmo sendo sócio, acreditava que existia a chance de conhecer e fazer parte do processo de decisões administrativas do clube. Realmente existia e existe esta possibilidade. Para tanto, porém, é necessário estarmos integrados, de alguma forma, ao ambiente político do clube, seja fazendo parte de um movimento organizado, seja acompanhando de perto as ações gerenciais e decisões estratégicas adotadas pela direção do Clube. Hoje, basta ser sócio para ter o direito e dever de acompanhar e fazer parte deste processo.

Quais as ideias e aspirações que chamaram tua atenção para começaram a atuar nessa área?

O que motivou a tomar esta atitude foi a possibilidade de poder participar ativamente de todos os processos mais importantes do clube, que exigem a participação efetiva do seu quadro de associados. O processo de democratização dos clubes de futebol, iniciado na maioria dos clubes na última década, propiciou e irá propiciar cada vez mais esta possibilidade. No meu caso, não me contentava mais em apenas ir à campo em todos os jogos apoiar o time. Queria poder participar das decisões que definiriam os rumos do clube.

Tem espaço para gente nova na politica dos clubes?

Sempre há espaço para gente nova. Como disse acima, o processo de abertura para a participação do associado nas decisões do clube propicia isto. E não é preciso, necessariamente, fazer parte do Conselho Deliberativo para poder participar efetivamente do mundo político do clube. Pegando o exemplo do Grêmio, há grupos políticos organizados que não contam com nenhum integrante no CD. Nem por isso deixam de participar de forma propositiva e democrática do mundo político do clube. Basta ter o interesse pessoal e, lógico, a iniciativa de buscar se integrar a determinado grupo que represente da melhor forma a sua convicção pessoal. Espaço e abertura do clube para este tipo de iniciativa há, cada vez mais.

Fale um pouco sobre o seu grupo politico: quais os projetos, ideias?

O Movimento Grêmio Novo, apesar do nome, é o grupo “político” organizado há mais tempo no Grêmio. Este ano, completa 12 anos de existência. O meu ingresso no grupo ocorreu em 2007. O nosso grupo tem, em suas bandeiras históricas: a defesa da democracia, para que seja incentivada e propiciada cada vez mais a participação do associado na vida do clube e o profissionalismo como forma de se atingir os objetivos traçados para o clube.

Podemos, então, afirmar que as principais idéias do Movimento Grêmio novo são estas: participação ativa do sócio na vida do clube e manutenção dos seus direitos, além do profissionalismo como peça fundamental para que os objetivos do clube possam ser atingidos.

É dificil atuar dentro dos conselhos? Quais as principais dificuldades?

Posso falar apenas pela minha experiência no CD do Grêmio, do qual faço parte desde 2010. Não creio que seja difícil a atuação no CD do clube. Há, sim, espaço para que novas propostas sejam apresentadas e a participação dos conselheiros mais novos é bem recebida. Entretanto, é necessário, logicamente, que cada conselheiro tenha iniciativa e comprometimento o suficiente para que leve adiante e apresente os seus projetos dentro do órgão. Creio que a maior dificuldade seja a ruptura de práticas perpetuadas há bastante tempo e que hoje, com uma nova realidade de cenário para o futebol brasileiro, estão em descompasso com aquilo que seria o ideal. Porém, penso que isto não seja responsabilidade de pessoas (A ou B), mas sim da dificuldade que muitas vezes os clubes apresentam na adaptação à esta nova realidade.

Para encerrar, qual a ideia, pensamento, ideologia que rege você ou seu grupo?

Pessoalmente, defendo de forma clara a participação do associado nas decisões do clube e o profissionalismo pleno e eficiente de todos os setores como premissas fundamentais para que os objetivos do clube sejam alcançados. Partindo disso, a escolha por fazer parte do Movimento Grêmio Novo foi conseqüência natural. Ao longo dos últimos 12 anos, este grupo tem demonstrado que defende de forma prática as mesmas idéias que me fizeram querer deixar de ser apenas mais um na arquibancada.

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