Esgrimista gaúcho classificado para Londres

Guissone quer conquistar o ouro nas Paraolimpíadas

O esgrimista Jovane Silva Guissone, 29 anos, está diante de um novo desafio. Classificado para as Paraolimpíadas de Londres, treina obstinado para trazer uma medalha olímpica. Guissone se tornou o primeiro atleta brasileiro da modalidade a medalhar em uma competição internacional, ao conquistar um bronze no Mundial da IWAS no ano passado. “Já conquistei 28 medalhas nacionais e cinco internacionais”, enumera contente.

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Natural de Barros Cassal, no interior gaúcho, o atleta é deficiente físico e pratica esgrima há quatro anos. Ficou paraplégico, no final de 2004, após sofrer um assalto e levar um tiro na coluna. Nos anos posteriores, Guissone passou por momentos de reabilitação, fisioterapia e adequação com a cadeira de rodas. Em 2007, fez um ano de basquete, mas se afastou do esporte devido à lesão. Não desistiu da atividade física, conheceu a esgrima e segue praticando até hoje.

Na esgrima paraolímpica, a cadeira é fixada ao solo por meio de uma armação especial

A esgrima paraolímpica destina-se aos portadores de deficiência física motora, em cadeira de rodas, nas categorias masculina e feminina. A cadeira é fixada ao solo, por meio de uma armação especial, que ao mesmo tempo posiciona o atleta num certo ângulo e distância. A partida que consiste em três períodos com três minutos cada, pode durar também até um dos adversários completar 15 pontos.
Guissone, que conheceu outros países em razão do esporte, treina de segunda a sexta-feira na Academia da Brigada e recebe orientação dos técnicos do Grêmio Náutico União, Alexandre Teixeira e Eduardo Nunes. Jovane dedica-se exclusivamente ao esporte e segue buscando patrocínios.

O esgrimista, que tem o jogador Neymar como um de seus ídolos, relata que não gosta de tratamentos diferenciados e de ser subestimado por ser portador de deficiência. “As pessoas me olham com outro olhar, sentem pena. Gosto que me tratem como uma pessoa normal. Eu sou um ser humano capaz como qualquer outro. O meu filho de nove meses é uma prova disso”, relata orgulhoso do bebê que está no colo da esposa. Determinado, finaliza: “Vou realizar o meu sonho e trazer uma medalha das Paraolimpíadas”.

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Texto: Karine Flores (1º semestre)
Fotos: Marcos Bertoncello / Grêmio Náutico União

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