Estamos preparados para envelhecer?

O envelhecimento da população já é uma realidade enfrentada pelos países europeus há pelo menos três décadas. E os dados do último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Brasil segue os mesmos passos dos países desenvolvidos. Segundo a pesquisa, a estimativa é de que 17,6 milhões de brasileiros tenham mais de 65 anos, o que corresponde a 7,4% da população. E os números só vêm aumentando, pois há vinte anos os dados eram de 4,8%, e a expectativa é que em 2020 o Brasil tenha cerca de 30 milhões de idosos. Mas será que estamos preparados para envelhecer?

O aumento de idosos na população tem provocado um aumento na procura por profissões voltadas ao atendimento desse público. É o caso do Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS (IGG), que desde 1973 forma especialistas no tratamento de idosos. “Nos últimos anos foi notado um aumento na procura por parte dos profissionais que já estavam no mercado e sentiram na necessidade de se especializarem na área de gerontologia”, explica o médico Ângelo Bós.

Cada vez mais a terceira idade está ativa na sociedade. Esta nova realidade exige que políticas públicas sejam repensadas para suprir as demandas desta parcela da população, e também, que as famílias aceitem a importância do idoso no meio social. Dados da Delegacia de Polícia de Proteção ao Idoso (DPPI) apresentados em seminário sobre a violência contra a terceira idade, realizado pelo Sesc-RS em junho de 2011, mostram que praticamente dobrou o número de agressões contra o idoso registradas no Rio Grande do Sul nos últimos quatro anos. “Até maio deste ano já contabilizamos 1.118 registros, e em 2008 o número de ocorrências durante todo o ano foi de1.833”, alerta o delegado Antonio Machado.

Segundo o delegado, as ocorrências mais comuns são as de maus tratos, abandono e golpes financeiros. Para driblar esta barreira que surge com o avanço da idade, muitos idosos recorrem a grupos de terceira idade que se reúnem para praticar atividades diferenciadas, em busca de um envelhecimento saudável. Fani Bordalo é um exemplo de quem vive feliz com a idade que tem e busca conscientizar outras pessoas de que velhice não é sinônimo de monotonia.

Aos 76 anos, a presidente do grupo Maturidade Ativa da Redenção afirma que para manter a saúde e a autoestima em dia ela não pode ficar parada. “Já estou no grupo há seis anos e a cada dia me sinto melhor por poder ter a minha independência mesmo já tendo uma idade avançada”, conta. Fani reúne-se com o grupo duas vezes na semana e realizam atividades de lazer e solidariedade. “Atualmente o grupo da Redenção reúne em torno de 50 pessoas nas atividades. No dia que é aberto ao público realizamos oficinas de artesanato ou palestras com temas voltados a terceira idade, pois desta forma motivamos mais pessoas a participarem conosco. Já no dia em que as reuniões são fechadas aos sócios organizamos as nossas ações sociais e as demais tarefas internas”, explica a presidente.

Mãe de quatro filhos, ela conta que a família gosta muito deste envolvimento dela com outras pessoas da mesma idade. “Ele já sabem, se querem me encontrar em casa tem que me ligar a noite, pois durante o dia eu estou sempre na rua”, brinca. Mais do que uma vida com saúde, a nova faixa etária que estáem ascensão no Brasilbusca um envelhecimento com reconhecimento dos setores públicos e da própria sociedade, pois o aumento da expectativa de vida proporciona que os idosos não sejam mais pessoas alheias ao convívio social, mas sim cidadãos ativos e que buscam seus direitos. “O reconhecimento dos idosos como parte integrante do meio em que vivemos é o que nos faz envelhecer com saúde e autoestima”, finaliza Fani.

Texto: Juliana Vencato Oliveira (7º semestre)

Foto: João Alves / Divulgação Sesc

Deixe um comentário