Estupro não pode ser sanção por um comportamento

Professoras da PUCRS apontam longo percurso para superar cultura impregnada na população

  • Por: Daphne Constantinopolos (2º sem.) | Foto: GabPRR (Flickr) | 11/10/2016 | 0

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“O estupro não pode ser uma sanção por um comportamento da mulher”, afirma a psicóloga e professora Mariana Barcinski ao destacar que “ninguém tem o direito de violar o corpo de uma mulher em razão do seu comportamento”. Estudiosa da temática da violência sexual, a psicóloga e sua colega Luísa Habigzang, ambos docentes da PUCRS, comentaram a pesquisa que constatou que um em cada três brasileiros concorda com a afirmação de que “a mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada”.

A mesma pesquisa, realizada pelo DataFolha, por solicitação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apontou que 37% dos entrevistados concorda com a frase de que “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”. Para as psicólogas, os índices mostram que a cultura do estupro está muito presente na sociedade brasileira.

Luísa Habigzang considera que “os dados do estudo mostram o quanto estamos impregnados por essa cultura machista, em que a responsabilidade por um estupro é do comportamento da vítima se ela for mulher”. Mariana complementa ao afirmar que explicações essencialistas são usadas para legitimar a violência contra a mulher, quando se fala que as mulheres instintivamente são sedutoras e ardilosas, enquanto os homens são instintivos.

Ambas concordam com o fato de que existem inúmeros aspectos da educação que precisam ser discutidos para que o resultado das pesquisas se altere, porém essa mudança exige um investimento que terá resultados a médio e longo prazo.