Ex-jogadores experimentam o sucesso e o fracasso na política

Deixar o futebol e ingressar na política foi a escolha dos ex-jogadores Tarciso e Dinho. Ambos marcaram seus nomes na história do Grêmio e hoje procuram na política uma maneira de retribuir o carinho recebido quando atletas.

Tarciso Flecha Negra
Tarciso Flecha Negra vai para o segundo mandato como vereador.
José Tarciso de Souza se encaminha para seu segundo mandato na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Edi Wilson José dos Santos (Dinho) não conseguiu se eleger na eleição de outubro último, mas promete vir com tudo no próximo pleito, em 2014, disputando vaga para Assembleia Legislativa.

Após 14 anos promovendo a participação de crianças num projeto social voltado para o futebol, José Tarciso de Souza decidiu concorrer a uma vaga na Câmara de Vereadores de Porto Alegre em 2004 pelo PDT. Sem sucesso, o mineiro de São Geraldo deixou o partido por motivos particulares e migrou para o PSD, que lançava o ex-goleiro, também do Grêmio, Danrlei de Deus Hinterholz.

Na eleição de 2008, Tarciso marcaria seu primeiro gol fora de campo. Com o aval de Leonel Brizola, surgia um novo político:

— Fui até a Assembleia Legislativa para conseguir ajuda de custo para uma viagem pelo projeto social. Levei uma camisa do Grêmio como agrado para meus amigos que trabalhavam lá. Quando conversava com eles, chegou Brizola. Ele era gremista e comentou que precisavam muito de mim naquela equipe. Brinquei que já não tinha mais pernas para aguentar o ritmo. Após isso, um deputado brincou: “esse é o nosso novo vereador”. Brizola completou: “assino embaixo”.

Preparando-se para iniciar o segundo mandato, em 2013, Tarciso Flecha Negra, como era conhecido nos tempos de jogador do Grêmio na década de 80, pretende continuar na defesa da inclusão social da criança e do adolescente pela educação, cultura e esporte. Na primeira experiência como vereador, ajudou na criação do Instituto Gauchito, que estimula o desenvolvimento de crianças pelo esporte. Propôs e aprovou a Lei de Sinalização Tátil, cujo objetivo é alertar deficientes visuais, a partir do piso, a existência de mobiliários urbanos e a criação do Museu da História e da Cultura do Povo Negro.

A sua principal bandeira, como ele mesmo declara, é o Kit Material Escolar. A iniciativa atende crianças de famílias carentes que recebem até dois salários mínimos, fornecendo material escolar para o ano letivo. Para o segundo mandato, a partir de 2013, os projetos de Tarciso são mais audaciosos. Ele destaca a proposta de cobertura das quadras esportivas das escolas e quadras municipais da orla do Guaíba. “Podem dizer que estou sonhando, mas uma das principais ideias é a urbanização da orla do Guaíba, que vai do Gasômetro até o Estádio Beira-Rio. Nós só olhamos para o Guaíba no pôr-do-sol, isso é muito pouco para uma orla tão linda”, afirma.

Uma das inspirações para o vereador reeleito é o Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, onde a prática de esportes ocorre nas 24 horas por dia. A outra motivação do projeto é a proteção contra o câncer de pele: “O sol hoje causa câncer de pele que já aos 20, 25 anos as pessoas estão com sérios problemas de saúde. Quando chove o local fica interditado.”

Quanto à participação de ex-jogadores na política, Tarciso ressalta a atuação de Romário. “Vejo nele uma honestidade impressionante. Ele coloca o dedo na ferida e luta pelo que é certo”. Danrlei também foi elogiado. O seu companheiro de partido ganha destaque pela luta diária para melhorar a qualidade de vida dos gaúchos.

Frustração de Dinho

Dinho teve suas expectativas frustradas na estreia como candidato.
A relação de Edi Wilson José dos Santos, Dinho, com a política é completamente diferente a de Tarciso. Na primeira tentativa, na última eleição municipal, não foi bem sucedido. Ele atribui o insucesso da campanha à pouca verba disponível e à baixa divulgação de sua candidatura. “Eu esperava muito mais votos do que 3.613. Nós não tivemos muitos recursos para a campanha. Eu não tinha comitê, usava escritório de um amigo no quarto andar de um prédio da Azenha”, lamentou o ex-jogador, que marcou época no tricolor na década de 90. Ele acredita que, se tivesse feito campanha com os valores astronômicos gastos por alguns candidatos, teria sido um dos mais votados.

O sergipano, há 14 anos em Porto Alegre, filiou-se ao DEM para concorrer a uma vaga na Câmara de Vereadores. “Filiei-me ao DEM porque Marcondes, meu assessor, era do partido. Quando surgiu a proposta, meus amigos me motivaram e eu entrei na campanha”, contou. Ao longo de sua campanha, pouca publicidade se viu nas ruas. Dinho diz que faltaram verba e apoio do partido. Fora isto, o candidato relatou que não teve tempo e dinheiro para percorrer a cidade e se mostrar. “A minha campanha foi feita toda em jogos do Grêmio. Eu ia ao Estádio, cumprimentava alguns torcedores e distribuía alguns santinhos. Minha família também panfletava aqui pelo nosso bairro. Pelas poucas ações, minha campanha custou R$ 10 mil”, explica.

A maior ação de marketing foi a propaganda de TV com depoimento de treinador Luiz Felipe Scolari, o Felipão. Dinho e dois assessores viajaram a São Paulo para fazer a gravação. O ex-jogador é muito grato à ajuda de Felipão, que, segundo ele, não impôs nenhuma condição, fez tudo na base da boa vontade.

Para as próximas eleições, em 2014, Dinho pretende tentar novamente. Sua ideia é se candidatar a deputado estadual pelo DEM. Apesar dos obstáculos enfrentados na primeira experiência, um planejamento já está sendo traçado para que o insucesso não se repita. Além disso, Dinho afirma já ter uma proposta que irá conquistar a todos, mas mantém em sigilo para que não seja abraçada por outros candidatos.

O caminho dos dois ídolos gremistas é semelhante ao de outros que já tentaram um lugar na política. Unidos pelas eleições municipais de 2012, agora seguirão caminhos separados. Enquanto Tarciso segue na Câmara lutando pelas crianças e adolescentes, Dinho agencia jogadores com idades entre 14 e 16 anos e dá palestras sobre futebol.

Texto: Marcos Belo (2º Semestre)
Fotos: Lucas Borba (2º Semestre)

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