Federação Gaúcha de Futebol prevê pior média de público dos últimos anos no estadual

Dezesseis clubes. Metade já gastou mais para abrir o estádio do que recebeu de bilheteria. Essa é a situação do Campeonato Gaúcho de 2013 até a 3ª rodada da Taça Farroupilha. Poucos torcedores nos jogos, times se endividando para disputar a competição e nenhum consenso entre os participantes sobre a fórmula do torneio que mais agrada.

Pela 7ª rodada da Taça Piratini, o 1º turno do Campeonato Gaúcho, Canoas 1 x 1 Lajeadense, no Complexo Esportivo da Ulbra, teve o pior público pagante da competição: 14 torcedores. De acordo com o borderô divulgado pelo clube, através do site da Federação Gaúcha de Futebol, foram dez ingressos de meia-entrada vendidos a 10 reais e quatro de arquibanca pelo dobro do preço. Uma arrecadação de 180 reais. Só de despesas para realizar a partida, a equipe da casa gastou mais de 3 mil reais.

Luciano Hocsman, vice-presidente da FGF, considera a situação do Canoas atípica: “Não podemos pegar a condição desta equipe como parâmetro da baixa médio de público. A situação do Canoas já vem de algum tempo”. De acordo com a análise geral da federação, a atual edição do torneio deve ser a de pior média de público nos últimos anos. ”Costumamos fazer um balanço no final do campeonato para saber qual foi a média de público e comparar com anos anteriores. Pelo que estamos vendo, esse ano o público dos estádios está abaixo da média. Ninguém que trabalha com futebol gosta dessa situação”, lamenta.

Outros clubes, no entanto, já sofreram para lucrar com os jogos do Gauchão. Inclusive o Grêmio, que possui o pior prejuízo do estadual em uma única partida. Na 3ª rodada da competição, o Tricolor enfrentou o Santa Cruz no Olímpico e goleou por 5 a 0. O sucesso dentro de campo não se repetiu nas arquibancadas, onde apenas 2837 pessoas pagaram para ver o jogo no estádio. O clube teve um prejuízo de quase 20 mil reais.

Os clubes andarilhos também influenciam para que os torcedores deixem de acompanhar os confrontos no local. Casos de Internacional e, principalmente, Cruzeiro. A equipe, que estava de mudança para a cidade de Cachoeirinha, teve seus planos adiados, pois sua nova arena ainda não está pronta.

O Estrelado começou mandando seus jogos no estádio Passo D’Areia, em Porto Alegre, passando pelo Antônio Vieira Ramos, o Vieirão, em Gravataí, e atualmente faz do Complexo Esportivo da Ulbra, em Canoas, a sua casa. O reflexo disso é que, excluindo o duelo contra o Internacional, todos os jogos do time recepcionando seus adversários tiveram públicos pagantes de menos de 100 torcedores.

O presidente do Cruzeiro, Dirceu de Castro, acredita que os números dos borderôs não condizem com a realidade vista no local das partidas. “O jogo que apresentou número de 32 pagantes tinha 400 pessoas no estádio. Tem gente com carteira disso, daquilo e entram sem pagar. Nunca jogamos com menos 350 torcedores. O que vai no borderô é sempre irreal”, afirma o mandatário.

Além desses aspectos, Dirceu também acha que uma mudança no modo de disputa da competição ajudaria as equipes de menor expressão: “A atual fórmula do Gauchão está ultrapassada. Sempre defendi a fórmula do Paulistão. Acho que deveríamos aumentar o número de times para vinte. Mas para isso os clubes precisam se unir”.

A união não parece estar próxima. Décio Becker, presidente do Cerâmica, diz não saber mais o quê fazer para levar mais torcedores ao estádio, mas acha que o Campeonato Gaucho com 16 clubes e dois turnos não é um grande problema: “Não sei qual é a mágica para que o público apareça. O campeonato em si é interessante”.

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Texto: Kalwyn Corrêa (5º semestre)
Foto: Guilherme Tavares

Reportagem produzida para a disciplina Jornalismo Online I, sob coordenação dos professores Andréia Mallmann e Marcelo Träsel

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