Golpe constitucional tirou Lugo da presidência no Paraguai

“É um golpe, mas um golpe apoiado na Constituição paraguaia.” É dessa forma que Alexandre Rodrigues, jornalista e estudioso de Relações Internacionais entre Brasil e Paraguai, avalia o processo de impeachment do presidente Fernando Lugo. O ex-bispo católico assumiu o governo em 2008, quando rompeu com a alternância política das duas forças mais tradicionais do país. “Os Liberais e Colorados se alternam no poder desde a época de Solano Lopes. Lugo, líder da Aliança Patriótica, configurou uma terceira força que quebrou com esta lógica”, explica.

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Segundo Rodrigues, a política paraguaia é muito semelhante ao peronismo argentino. “É o caso em que o mesmo partido se perpetua no poder, pois a oposição é apenas uma dissidência do mesmo.” O Paraguai já sofreu duas tentativas de golpe por parte do general Lino Oviedo. “O maior problema é que este Congresso oposicionista tem fortes ligações com o General Oviedo, que tentou dois golpes, em 1996 e 1999”, observa Rodrigues.

Outro ponto que complica a situação de Lugo é o apoio popular. “A sociedade paraguaia é muito conservadora e o episódio do filho bastardo do presidente enfraqueceu sua credibilidade”, diz Rodrigues. O tempo para a defesa das acusações evidencia o caráter golpista da ação, para o jornalista “Bill Clinton e Fernando Collor tiveram meses para se defender, Lugo teve apenas duas horas.”

Entenda o caso

O fato que desencadeou o pedido de impeachment foi a violenta reintegração de posse uma fazenda a região de Curuguaty, no Paraguai, a cerca de 280 quilômetros de Foz do Iguaçu. No confronto que ocorreu na sexta-feira passada seis policiais e 11 sem-terra morreram.

O parlamento paraguaio defenderá o impeachment do presidente Fernando Lugo a partir de cinco acusações formais. Lugo é acusado de vínculos com movimentos sociais do país e de falta de ação contra a invasão de terras.

Matéria da Folha de S. Paulo

Texto: Felipe Martini (6º semestre)

1 comentário

  • altemir
    14:44

    Esse jornalista, que se diz especialista em relações internacionais, deve ser caolho e surdo em relação ao momento vivido pelo povo paraguaio. O que importa, no processo de impeachment, não é a questão meramente histórica, e sim o política. Não importa se o processo dure dois dias, um mês. A vontade polícita seria a mesma. E mais: Se o Lugo tinha apoio popular, porque então a população está tranquila no Paraguay?
    Só quem está com idéias alarmistas e golpistas são pessoas que apoiam esses loucos como o Chavez, o Lugo, o Correa e o presidente da bolívia. Todos detestam a democracia e o cumprimento de normas internacionais. Por que essses especialistas, jornalistas não perguntam ao povo paraguaio sobre essa questão?

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