“Google não está acima da lei”

Detido na tarde da última quarta-feira(26/09) pela Polícia Federal por não ter cumprido a decisão judicial que determinava a retirada de vídeos do Youtube, o diretor-geral do Google Brasil, Fábio José Silva Coelho, abriu um debate em torno dos limites da famigerada liberdade de expressão na internet.

Após questionar a decisão judicial, o Google Brasil não obteve recurso e foi obrigado a retirar o vídeo do ar para no Brasil. Em seu blog oficial, a empresa informa que sua intenção é, através do Youtube, oferecer “uma plataforma para a liberdade de expressão em todo o mundo”. Ainda no texto, o site defende que os vídeos eram “manifestações legítimas da liberdade de expressão” e garantem que continuarão defendendo essa bandeira, que é “uma premissa das sociedades livres”.

A interpretação da gigante americana da internet, no entanto, é contestada por Alex Primo, professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Para ele, a detenção de Fábio Coelho é uma evidência de que a internet não é uma “terra sem regras”. “O Google não está acima da lei. Não sei se a prisão é a melhor forma de punir, mas se a Justiça determinou a retirada do vídeo, isso deve ser cumprido”, salienta. Para ele, o argumento da “liberdade de expressão” possui limites. “Isso não justifica a publicação de qualquer conteúdo. Seguindo essa lógica, a divulgação de material ligado à pedofilia não deveria ser condenada”, argumenta.

O professor lembrou que rádios, emissoras de TV e jornais são responsáveis pelo material que exibem. “Por que, então, seria permitido ao Google fechar os olhos para aquilo que está em seus sites?”, questiona. Primo também defende que o vídeo “A Inocência dos Muçulmanos”, que gerou uma série de protestos no Oriente Médio por, supostamente, ofender o profeta Maomé, seja retirado do ar. “Caso eles removessem esse vídeo do youtube, muitas mortes seriam evitadas. Nessas situações, é sempre bom lembrar que a tão comentada liberdade de expressão requer responsabilidade”, frisa.

Texto: Caio Venâncio (2º semestre)

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